Dia Mundial de Conscientização do Autismo Autismo Virtual – Um Fenômeno Real e Alarmante

O Que Vem a Ser Autismo Virtual? E por que o Autismo Virtual Aumentou Tanto nos Últimos Anos e Qual Sua Relação com a Pandemia?

No ano de 2007, a ONU (Organização das Nações Unidas), definiu o dia 02 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento. Isso significa que no desenvolvimento global, existe um prejuízo ou retrocesso. É necessário pois, que esse paciente realize uma avaliação multiprofissional a fim de elucidar a causa desse atraso.

Há um fenômeno que vem crescendo nas últimas décadas e que atualmente passou a ser chamado de Autismo Virtual.

Estudos recentes de casos clínicos estão comprovando que crianças pequenas que são expostas excessivamente em frente as TELAS (TVs, computadores, tablets e videogames), acabam apresentando sintomas próprios do espectro autista. Segundo as recomendações da Academia Americana de Pediatria, crianças com a idade abaixo de dois anos não devem ser expostas às telas. Para as crianças acima dos dois anos, a recomendação é que tenham um limite de apenas duas horas por dia, divididas ao longo do dia.

Mas não é isso o que vem acontecendo, principalmente nos países onde a revolução digital já é uma realidade na vida da população – É o que explica a Dra. Gesika Amorim, Médica, Pediatra, Neuropsiquiatra infantil com formação em Homeopatia Detox (Holanda), Especialista em Tratamento Integral do Autismo com diversos títulos  em Neurodesenvolvimento – Autismo virtual, grosso modo, é a presença de manifestações do espectro autista que as crianças passam a demonstrar pelo uso abusivo de telas. Para uma criança que não seja autista, por volta dos dois anos de idade, ficar exposta diariamente às telas, faz com que ela comece a anular as coisas que estão ao seu redor; esse é o primeiro sintoma do autismo, o isolamento social. A criança fica com o seu foco totalmente voltado para a tela e esquece de todo o resto, de todo estímulo, de todas as pessoas que estão ao seu lado. O segundo sintoma é o prejuízo na fala; se a criança está isolada de frente à tela, com quem ela vai falar? Ela não tem com quem se comunicar. O terceiro sintoma é a dificuldade de mudar a rotina, tendo uma preferência por rituais e rotinas, que é o que acontece nessa faixa etária; a criança tem a preferência de ver sempre os mesmos desenhos, os mesmos programas.

É assustador o aumento do diagnóstico de autismo nos EUA. O Centro Para Controle de Doenças (Center For Disease Control) apresenta as seguintes estatísticas:

  • No ano de 1975, de cada 5.000 crianças, apenas 01 era diagnosticada com autismo.
  • No ano de 2005, de cada 500 crianças, 01 era diagnosticada.
  • No ano de 2014, segundo os últimos números da CDC, de cada 68 crianças, 01 era diagnosticada.

O governo americano apresentou uma pesquisa junto com os pais, mostrando que 01 criança, em cada grupo de 45, já é diagnosticada com autismo, ou seja, apenas nos EUA, nos dias atuais, a probabilidade de uma criança ter autismo aumentou 100 vezes mais do que no ano de 1975. Outros países também apresentam esse aumento alarmante em comparação das últimas décadas.

Segundo a Dra. Gesika Amorim, é importante entender que o desenvolvimento da criança é construído por fases, não depende só do estímulo visual que as telas fornecem. A criança depende de diferentes estímulos; do estímulo tátil, sonoro e principalmente da imitação, que é o que acontece quando ela está interagindo em casa, com a família, na escola ou na creche.

Desde o ano de 2020, por causa das restrições impostas pela pandemia, houve uma explosão de casos. O que vem acontecendo, por causa do isolamento social, e o chamado autismo virtual aumentou muito pela hiperexposição das crianças às telas, pela falta de socialização e pelo prejuízo da comunicação, ou seja, devido as consequências de ficar em casa, unicamente com essa rotina.

Em um ano de pandemia, em que as crianças deixaram de ir às escolas ou às creches, muitas dessas crianças passaram a ficar expostas unicamente às telas, porque a mãe, mesmo trabalhando em home office, tinha que cuidar também dos afazeres da casa, deixando a criança entretida diante da TV ou do computador. Por conta da questão financeira, muitas empregadas e babás foram dispensadas de seus serviços e as crianças perderam toda essa socialização em casa também – reitera a Dra. Gesika Amorim.

Pesquisadores demonstram que quanto maior for o tempo de exposição da criança diante das telas, mais prejudicial será o desenvolvimento do seu cérebro, impedindo, inclusive, que ela tenha uma vida social saudável.

As telas viciam e não é nada fácil para os pais reverterem essa situação, tirando dos seus filhos pequenos essas telas e ao mesmo tempo oferecer outros estímulos para eles. Isso deve envolver toda a família.

Esse processo não é fácil e a criança provavelmente apresentará crises de raiva. No entanto, vencendo essa primeira etapa e com paciência e disciplina, a criança voltará a interagir normalmente e os sintomas vão desaparecer em um curto prazo de tempo- explica a especialista, Dra. Gesika Amorim, que continua: “ Quando você quebra essa rotina, tirando as telas e aumentando o repertório, o leque de opções de estímulos para essa criança, quando ela é colocada para interagir com outras crianças, por exemplo, você tem uma regressão quase que imediata desses sintomas.

Aproveitando a Semana da Conscientização do Autismo, vamos observar mais as nossas crianças e passar a frente estas informações. Lembrando que é muito importante o diagnóstico precoce, pois assim, maiores e melhores serão as chances de tratamento do seu filho.

 

CRÉDITOS:

Dra. Gesika Amorim é Mestre em Educação Médica, Pediatra, Neuropsiquiatra com formação em Homeopatia Detox (Holanda), Especialista em Tratamento Integral do Autismo. Possui extensão em psicofarmacologia e Neurologia Clínica em Harvard. Especialista em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental, dentre outros títulos