Enfermeira suspeita de falsa aplicação da vacina em idoso é indiciada por peculato

A técnica de enfermagem Rosemary Gomes Pita, suspeita de deixar de aplicar a dose da vacina contra a covid-19 em um idoso, no posto drive-thru do Gragoatá, em Niterói, foi indiciada e responderá por peculato e infração de medida sanitária preventiva. A investigação foi conduzida pela 76ª DP (Niterói).

Na quarta-feira (17), a distrital ouviu pessoas envolvidas pelo caso, entre eles Rosemary e a coordenadora que trabalhou com ela na Fundação Municipal de Saúde. A delegacia concluiu que não havia motivos para que ela deixasse de pressionar o êmbolo da seringa para que o imunizante fosse aplicado.

“Fortes indícios levam a crer que ela deixou de aplicar a vacina no idoso de forma dolosa com a intenção de usá-la em outra situação. A gente está investigando um caso isolado de uma vacina que foi supostamente desviada. Essa vacina a não teria nenhuma validade, pois como seria armazenada? Se ela tinha intenção de repassar de forma comercial, ainda iria cometer o crime de estelionato porque a vacina perderia a eficácia”, explicou o delegado Luiz Henrique Marques Pereira, titular da 76ª DP.

Em seu depoimento, a profissional não teria conseguido precisar as razões que a levaram a não aplicar a dose. Já os coordenadores dela afirmam que não existe razão técnica plausível para que o fato tenha acontecido. Para o delegado, os fatos não deixam dúvidas de que a não aplicação foi intencional. Ele não descarta que outras doses tenham sido desviadas.

“Pode sim [ter desviado outras doses]. Não tem como excluir isso, é possível sim. Ela ficou dois dias no posto, o que diminui o risco. Ela não conseguiu explicar porque não apertou o êmbolo, que é algo básico. Uma pessoa no juízo normal aplica uma vacina a primeira ação é apertar o embolo. Questionada sobre isso, pelo condutor [do carro, no vídeo], ela responde de forma irônica. Ou seja, ela estava bem tranquila, porque brincou com o idoso e questionada se aplicou a vacina corretamente responde de forma irônica. Estava consciente do que estava fazendo”, pontuou o delegado.

Ainda de acordo com Marques Pereira, o depoimento da coordenadora também foi fundamental para a conclusão rápida da investigação. De acordo com ela, a dose da vacina que deixou de ser aplicada não foi encontrada, o que confirma a suspeita de desvio. “O depoimento da coordenadora de vacinação afirma que a dose não foi encontrada. Ela desapareceu, o que aumenta mais ainda a suspeita. Se não foi aplicado de forma culposa onde esta a vacina?”, questionou o delegado.

O crime de peculato prevê pena de até 12 anos de prisão. Na quarta-feira, ao deixar a delegacia após cerca de 2 horas de depoimento, Rosemary aparentava nervosismo e preferiu não conversar com a imprensa. Ela compareceu sozinha, sem a presença de um advogado.

Segundo fontes ligadas à investigação, a técnica de enfermagem trabalha há dez anos nesta função. A Prefeitura de Niterói foi procurada e questionada sobre quais serão os próximos passos em relação ao afastamento da profissional, mas ainda não respondeu ao contato.

O Município havia comunicado, na segunda-feira (15), que Rosemary já havia sido afastada das atividades. A família do idoso foi procurada por uma equipe e imediatamente foi agendada a vacinação, no qual o médico e a enfermeira responsável realizaram a aplicação da vacina na casa do idoso.

 

 

 

Fonte: atribunarj.com.br