A investigação sobre as supostas fraudes bilionárias no Banco Master atravessou nesta semana uma fase de forte turbulência institucional com a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) e o início de um procedimento no Supremo Tribunal Federal (STF) para avaliar a continuidade da relatoria do ministro Dias Toffoli no caso.
Na última segunda-feira (9), a Polícia Federal entregou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório com dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro — principal investigado no inquérito que apura supostas fraudes e irregularidades no Master, incluindo a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). No material periciado, estão menções ao nome do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, embora o conteúdo permaneça sob sigilo jurídico.
Com base neste relatório, a PF solicitou formalmente ao presidente do STF que seja analisada a suspeição de Toffoli como relator do inquérito, sob o argumento de que as referências encontradas podem comprometer a imparcialidade do magistrado. O pedido foi recebido com a abertura de um procedimento interno, e Toffoli foi oficialmente notificado a apresentar sua manifestação sobre o tema.
Na manhã desta quinta, o gabinete de Toffoli divulgou uma nota oficial reafirmando que o ministro “jamais recebeu qualquer valor” de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel, e que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado”, em resposta às notícias sobre as menções no celular de Vorcaro.
Toffoli também explicou que sua participação societária em uma empresa familiar, que antes deteve cotas no resort Tayayá (vendidas antes de ele assumir a relatoria do caso), está em conformidade com a legislação (que permite participação societária sem funções de gestão) e foi devidamente declarada às autoridades fiscais.
O presidente do STF, Edson Fachin, convocou ministros para uma reunião interna a fim de apresentar o relatório da PF e dialogar sobre a avaliação das menções ao nome de Toffoli no material periciado. A informação foi confirmada por fontes internas e noticiada por grandes veículos de imprensa.
A Corte também encaminhou o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá emitir parecer sobre a eventual suspeição e a continuidade de Toffoli como relator do inquérito.
O inquérito sobre o Banco Master foi aberto em meio à Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro de 2025, que mira possíveis fraudes bilionárias em concessão de crédito, gestão contábil irregular e tentativas de venda fraudulenta da instituição. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em meio a um severo colapso financeiro.
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