‘Cristãos’ abutres digitais
Na sociedade das redes sociais, não mais entramos no mundo digital, vivemos nele!
Como é nosso comportamento por detrás das telas, computador e telefone? Por que muitos de nós temos sido tão cruéis e violentos? Onde está a tua essência diante da IA? Quais são os impactos da vida on-line no teu comportamento?
Lembremos que Jesus fez bem todas as coisas! Se você é um cristão, lembre-se do mandamento máximo do amor! Se você é um bom ser humano, lembre-se da boa cidadania digital e, por favor, não ataque ninguém na internet.
Que triste ver pessoas que atacam seus próprios sacerdotes e pastores nas redes. Quem nos constitui juízes e algozes? Você usa ou é usado pelas redes? Por que estamos nos desumanizando e causando dores ao nosso próximo, ao invés de trazer acolhida e ternura? Será que você também é um abutre digital em busca de ‘carniça digital’?
Há algo profundamente contraditório no comportamento de alguns cristãos nas redes sociais: professam a fé em Cristo, falam de amor, misericórdia e perdão, compartilham versículos e imagens de santos, mas quando encontram alguém de quem discordam, transformam-se em verdadeiros algozes digitais. A palavra que deveria ser instrumento de edificação torna-se uma arma. O comentário que poderia esclarecer transforma-se em condenação. E aquilo que deveria ser testemunho cristão acaba revelando uma agressividade que contradiz o próprio Evangelho.
Existem cristãos que parecem estar permanentemente à procura de alguém para corrigir, denunciar, desmascarar ou humilhar. São os “abutres digitais”: sobrevoam as redes à espera da queda de alguém. Quando encontram uma falha, não perguntam o que aconteceu; imediatamente julgam. Não procuram conhecer a história; constroem uma sentença. Não oferecem uma mão para levantar; disputam quem consegue lançar a pedra mais pesada.
O mais grave é quando essa violência é justificada em nome da verdade. Há pessoas que dizem: “Eu apenas estou defendendo a fé”. Mas defender a fé sem caridade pode transformar a própria fé em instrumento de violência. Cristo nunca ensinou que a defesa da verdade exige a destruição do outro. A verdade cristã não é uma licença para humilhar. A correção fraterna não é exposição pública. A firmeza não é grosseria. E a fidelidade à doutrina não nos dispensa do amor ao ser humano.
Nos ajude o Espírito Santo a não apenas carregarmos o nome de cristãos, mas de sermos, de fato, e também nas redes sociais.
Padre Eduardo,
Patriarcado Eslavo nas Américas