Nos últimos dois anos, diversos casos de racismo têm acontecido no futebol, envolvendo times e atletas brasileiros. Porém, na maioria dos episódios, os acusados recebem multas e em algumas poucas situações são presos, em flagrante ou preventivamente. Em 2023, foram registrados 136 atos racistas em estádios, internet, eventos e outras áreas relacionadas à modalidade.
O número, para o diretor do Observatório de Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, pode indicar também que agora, com punições judiciais contra o racismo, as vítimas fazem mais denúncias. “Os torcedores, jogadores e sociedade têm tomado maior consciência sobre o que é racismo. Como o tema tem cada vez mais sido discutido, há mais pessoas atentas. Antes, era comum ouvir frase: ‘o que acontece em campo morre em campo’. Hoje, é denunciado”.
Os dados de 2024 e 2025 ainda não foram divulgados pelo Observatório.
Confira o desdobramento de alguns desses casos:
- Em junho de 2023, no Paraguai, o goleiro do Atlético-MG, Éverson, dava entrevista no gramado após o jogo contra o Libertad, quando um torcedor adversário o chamou de “macaco” e imitou o animal com os braços. A diretoria do clube brasileiro entregou as imagens do momento ao delegado da partida, ainda o atleta pediu punições mais severas da Conmebol, responsável pelo campeonato. Como punição, o Libertad recebeu uma multa de US$ 100 mil e foi ordenado a promover uma campanha contra o racismo em suas redes sociais e em seu estádio, com a frase “Basta de racismo”.
- Já em agosto de 2023, em São Paulo, uma criança de 12 anos foi vítima de racismo quando um torcedor do São Lorenzo arremessou uma banana em sua direção. Além disso, o dirigente do clube exibiu uma foto de macaco a apoiadores do clube paulista. Os dois foram retirados da arquibancada e levados à delegacia e ficaram presos preventivamente. O Tribunal de Justiça de SP determinou que o dirigente cumprisse dois anos de prisão, em regime aberto, por ser réu primário e ele foi proibido de comparecer a jogos do São Lorenzo no Brasil também por dois anos. Além de pagar 10 salários mínimos à vítima e R$100 mil ao estado por danos morais coletivos. Já o processo do torcedor ainda está em andamento.
- Em partida do futebol feminino, entre Grêmio e River Plate, uma jogadora time argentino fez gestos racistas à equipe de arbitragem e outras atletas chamaram as adversárias de “macacas” e “negritas”. Quatro delas foram presas em flagrante logo após o jogo, mas seis dias depois, receberam liberdade provisória da Justiça de SP sob a condição de: obrigação de manter o endereço atualizado e, caso alterado, informado imediatamente ao juízo e apresentar mensalmente relatórios de atividades (laborais e estudantis), além de pagarem R$25 mim às vítimas.
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*Com informações do G1.
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