Produtores e exibidores lamentam exclusão de cinemas e teatros da fase 6 da flexiblização

A decisão de manter cinemas e teatros fechados desagradou os representantes dos segmentos, que afirmam ter capacidade de cumprir as regras de ouro e esperavam poder reabrir na fase 6 da flexibilização. Gilberto Leal, diretor do Sindicato das Empresas Exibidoras Cinematográficas do Estado do Rio de Janeiro, disse ter ficado surpreso com a decisão do prefeito Marcelo Crivella de manter as salas de exibição fechadas. Bianca Felippes, da Associação de Produtoras de Teatro, disse que a entidade é sempre pautada pela ciência, mas acredita que alguns teatros têm condições funcionar.

“Sempre seguimos as recomendações. Se médicos e autoridades dizem que ainda não é hora de abrir acatamos. No entanto, estamos vendo que vários locais onde há aglomerações estão funcionando, como bares. Gostaríamos que fosse estudado caso a caso. Temos os teatros patrocinados que têm condições de cumprir todas as regras e poderiam abrir as portas. Já os teatros públicos, não têm como abrir. Os contratos já venceram e será necessário fazer novos editais. Se a prefeitura permitisse a abertura hoje, eles continuariam fechados. Não seguranças, equipe técnica e qualquer profissional que permita o funcionamento”.

Já Gilberto Leal, garante que todas as salas têm como cumprir as regras de ouro.

“O cinema fica como o patinho feito dessa situação. Apresentamos tudo que seria feito na reabertura, com protocolos rigorosos a serem seguidos. Tudo feito para a evitar aglomerações. Não entendemos. Os cinemas têm condições melhores de fazer o controle de acesso. Não terá aglomerações como em bares e pontos turísticos, por exemplo. Além disso, o Rio tem 15 cinemas funcionando. Todos como igrejas. A única diferença é de que no lugar da tela foi colocado um púlpito”, reclamou o diretor.

Celso Ramos, médico e professor da UFRJ, que faz parte do comitê científico da prefeitura, explicou o motivo que levou os membros a decidirem que cinemas e teatros ficariam de fora da fase 6A.

“Nesses locais é normal que haja filas para entrar. Além disso, mesmo que haja assentos demarcado no interior, é quase impossível controlar depois que as luzes são apagadas. Um outro fator é que são locais fechados”, explicou Celso Ramos.

A impossibilidade de conseguir manter a queda do número de mortes por Covid-19 e o comportamento da população, que tem lotado as praias e os bares são alguns fatores que levaram os integrantes do comitê científico a aconselharem o prefeito Marcelo Crivella a dividir a fase 6 em duas partes. O médico e professor da UFRJ Celso Ramos disse que a dificuldade de baixar numero de óbitos é reflexo, por exemplo, do desrespeito às regras que proíbem que as pessoas permaneçam nas areias e façam aglomerações como as que ocorreram no fim de semana.

“A permanência nas areias das praias continua proibida. Mesmo assim, ela ficam lotadas e com pessoas sem máscara. Não dá para imaginar que a população é formada por crianças indisciplinadas. Não dá fiscalizar e retirar a multidão da praia. Os bares também continuam com aglomerações. Pontos como a Rua Dias Ferreira, no Leblon; Vila Isabel e Méier continuam cheios. No caso dos bares, a punição ainda é possível. O proprietário do estabelecimento pode ser multado, mas ainda estão cheios”, avaliou o médico.

Membro de comitê científico fala em cautela

Celso Ramos explica ainda que o fato de estarmos em uma etapa em que doença se torna endêmica, é normal que haja uma oscilação de casos. Ele, no entanto, ressalta que estamos no platô ainda como uma média de mortes muito alta (cerca de 900 óbitos por dia no país). Esse ainda é parâmetro usado para que se tenha cautela na flexibilização.

Professor titular da UFRJ, Amílcar Tanuri, chefe do Laboratório de Virologia Molecular, avalia que a situação da Covid-19 na capital ainda é preocupante. Segundo ele, ainda temos uma taxa alta e constante de casos e de mortes, o que motivou a divisão das etapas da fase 6:

“A taxa tinha descido, mas estacionou em um patamar alto. A taxa alta de mortes e casos preocupa em relação ao que acontecer” disse Tanuri.

A capital fluminense, que concentra o maior número de casos e mortes em todo o estado, já chega a 90.345 diagnósticos da doença e 9.634 vítimas, conforme o último boletim, divulgado neste domingo. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a média diária é de 547 casos e 59 óbitos por dia.