Família de adolescente morto em São Gonçalo mostra marcas de bala na casa; veja vídeo

A família de João Pedro de Matos Pinto, morto na noite desta segunda-feira (18) em uma operação policial em São Gonçalo, divulgou um vídeo que mostra as marcas da violência na casa onde o adolescente foi baleado, no bairro Itaoca. O caso aconteceu durante uma ação do Comando de Operações Táticas (COT), da Polícia Civil e da Polícia Federal em busca do traficante Faustão, codinome de Ricardo Severo, apontado como chefe do Comando Vermelho na localidade.

João estava dentro da casa do avô na Rua Expedicionário Geraldo Rosa, no Complexo do Salgueiro, brincando no celular com os primos, quando a casa teria sido invadida por policiais, segundo relatos da família. Os agentes teriam alegado que viram traficantes na residência, mas João Pedro foi atingido pelos disparos. Ele teria sido levado de helicóptero até um hospital no bairro Lagoa, na Zona Sul do Rio de Janeiro, sem que sua família soubesse da localização. A operação contou com três helicópteros, quatro veículos blindados, lanchas e 50 homens.

“A polícia chegou lá de uma maneira cruel, atirando, jogando granada, sem perguntar quem era. Se eles conhecessem a índole do meu filho, quem era meu filho, não faziam isso. Meu filho é um estudante, um servo de Deus. A vida dele era casa, igreja, escola e jogo no celular”, lamentou o pai da vítima, Neilton Pinto.

De acordo com um familiar que não quis se identificar, a casa da família de João seria constantemente visada durante as operações pela infraestrutura que chama a atenção. “É uma casa bonita com piscina, e os policiais acreditam se tratar de um esconderijo de traficantes, mas não é. Quer dizer que o pobre não pode trabalhar e conquistar uma casa boa?”, denunciou a tia do jovem, que não se identificou.

Sem saber para onde o menino havia sido levado, a família começou a procurar por ele, enquanto o assunto tomava conta das redes sociais ao longo da noite e da madrugada com a tag #procurasejoaopedro. Familiares de João foram a hospitais e delegacias de São Gonçalo, Niterói e do Rio, até serem informados, na manhã desta terça-feira (19), que o corpo do adolescente estava no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo, em Tribobó.

“Meu filho não tinha envolvimento com nada, era uma pessoa muito querida por todos. Pegaram o meu filho, colocaram no avião e não deixaram ninguém ir com eles. Ficamos horas sem notícias do meu pequeno, por quê? Por que fizeram isso com o João Pedro? O que será da minha vida sem meu filho?”, desabafou a mãe de João, Rafaela Coutinho.

Em resposta, a polícia afirmou que a operação foi realizada com objetivo de cumprir dois mandados de busca e apreensão por tráfico de drogas e que os agentes, que perseguiram criminosos que teriam pulado o muro da residência, foram atacados por criminosos com tiros e granadas, que teriam sido apreendidas na ação. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Duas testemunhas e os agentes envolvidos na ação foram ouvidos.

No vídeo divulgado pela família da criança, é possível ver inúmeras marcas de tiro dentro da residência, e até mesmo uma poça de sangue no chão. Confira abaixo: