Já no ritmo do desfile deste ano, a União de Maricá faz seu primeiro ensaio de rua de 2026, nesta sexta-feira (9). A partir das 20h, a agremiação se concentra na Rua Abreu Rangel, no Centro da cidade. Em seguida, os foliões continuam até a Passarela do Samba Adélia Breve. A escola de samba vai desfilar em 14 de fevereiro, pela Série Ouro, com o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, que vai retratar a história de joias produzidas por negros no Brasil.
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Enredo
Os Balangandãs são joias/amuletos afro-brasileiros tradicionalmente usados no Brasil, especialmente na Bahia, desde os séculos XVIII e XIX. Eles se caracterizam por uma penca de pequenos penduricalhos ou berloques (como frutas, figa, símbolos religiosos e objetos do cotidiano) presos a uma haste ou corrente. Cada pingente carregava simbolismo — proteção, sorte, saúde, fertilidade — e podia combinar signos de religiosidade africana e cristã.
Ensaios
Depois desta sexta-feira (9), a escola de samba vai fazer mais dois ensaios de rua, nos dias 16 e 30. Ao longo deste mês, nos dias 19 e 24, a agremiação faz dois ensaios na Marquês de Sapucaí, no Centro do Rio.
Confira abaixo o samba completo da agremiação para este ano:
“Nêga da ladeira do Pelô
Tens o som de Salvador
E a magia que fulgura
Revolucionar é seu papel
E a arte do cinzel
Tu carregas na cintura
Junto ao tabuleiro nas manhãs
Há o sonho das irmãs que anseiam liberdade
Ecoa toda Nzinga de Matamba
A mandinga e a demanda
Realeza, identidade
Balanço que lembra meu adarrrum
Na armadura de Ogum, memória ancestral
Adorno que guardo no meu ilê
Herança dos Malês
É forja do metal!
Santa luz da rebeldia que moldou o livramento
Somos jóias da princesa, filhas do empoderamento
Penduricalho, que te entrego de lembrança
Guarda a fé, o fogo e o talho, resplandece a esperança
Eu peço aos meus orixás
E entrego todo axé
A nega pode e vai ter o que quiser
Tantas pretas consagradas
Meu espelho com orgulho
E a quem renega a mulherada:
Vá dormir com esse barulho!
Balangandãs, berenguendés
Canta Maricá o que a baiana tem
Pertencimento que reluz no amuleto
Claro, tinha que ser preto!”

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