O modelo de ensino cívico-militar está no centro do debate eleitoral fluminense após as escolas que adotam esse formato conquistarem cinco das dez melhores posições de toda a rede de ensino médio do Governo do Estado do Rio de Janeiro no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Impulsionado por esses resultados de destaque, o candidato ao governo do Rio, Douglas Ruas (PL), propôs como uma de suas principais metas para a educação a ampliação dessa modalidade, saltando das atuais 17 para 200 unidades estaduais. A proposta, anunciada durante as celebrações do Dia da Independência na Avenida Presidente Vargas, abre espaço para um amplo debate sobre os impactos desse formato no cotidiano dos alunos e professores.
Os dados oficiais de desempenho revelam que as notas das unidades cívico-militares do Rio se posicionaram entre 5,2 e 5,6 no índice oficial. No topo do ranking do estado, o Colégio Estadual Sargento PM Antônio Carlos de Oliveira Moura, em Araruama, conquistou o segundo lugar geral da rede de ensino médio com média de 5,6, empatado com o Ciep 494 – Alexandre Carvalho, de Miguel Pereira. Outros destaques no Top 10 fluminense incluem o Colégio Estadual Subtenente PM Cláudio Hentzy Ferreira (Santo Antônio de Pádua), o Colégio Estadual Coronel PM Marcus Jardim (São Gonçalo) e o Colégio Estadual Segundo Tenente BM Sérgio Rodrigues da Silva (Cordeiro). Duas dessas unidades também conseguiram se posicionar entre as dez melhores escolas públicas de todo o estado, considerando as redes municipais, estaduais e federais somadas.
Como funciona o modelo na prática
Sob as diretrizes estabelecidas pela Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ), o diferencial dessas escolas está na rotina de tempo integral e na divisão de funções de equipe. Os professores da rede pública civil continuam totalmente responsáveis pelas aulas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Paralelamente, militares inativos da reserva (policiais e bombeiros) atuam no suporte de gestão, auxiliando em tarefas de comportamento, disciplina, horários e valores de cidadania, sem qualquer interferência no projeto pedagógico de classe. A proposta visa liberar os docentes para focarem exclusivamente no conteúdo de ensino.
“Teremos militares da reserva, que não vão substituir os profissionais da educação, mas atuarão na construção de um ambiente mais organizado, com disciplina e respeito aos professores”, justificou Douglas Ruas ao detalhar sua proposta. O candidato pontuou ainda que qualquer expansão será realizada em diálogo com as comunidades, ouvindo diretores, pais e alunos.
Ensino técnico e mercado de trabalho
Além da disciplina escolar, a reestruturação da rede estadual passa pelo fortalecimento de parcerias com o setor privado. O plano de educação de Douglas Ruas prevê a introdução da qualificação e do ensino técnico profissionalizante a partir do primeiro ano do Ensino Médio, antecipando a preparação de mão de obra para facilitar a transição rápida dos estudantes rumo ao mercado de trabalho formal.
Por outro lado, o avanço do modelo cívico-militar desperta discussões de cunho pedagógico. Especialistas e representantes da categoria ponderam que os bons resultados alcançados por essas unidades refletem, na verdade, os benefícios da jornada escolar de tempo integral e o foco em avaliações nacionais. Para esses defensores do ensino convencional, o papel do Estado deveria focar na equalização de investimentos financeiros e na infraestrutura geral de todas as escolas públicas da rede, em vez de criar regimes de segurança internos de caráter militar nas dependências escolares.
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