Com quase mil garis afastados por Covid, Comlurb pede à população que ajude a manter a cidade limpa

A Comlurb — companhia de limpeza urbana do Rio — pediu na última sexta-feira (14) que a população ajude a manter a cidade limpa após uma alta de casos de Covid entre os garis.

Em nota, a empresa, que conta com 14 mil profissionais de limpeza e tem quase mil afastados (7%), pede “a colaboração da população em relação ao lixo e para manter a cidade limpa, uma vez que está trabalhando com um efetivo menor de garis”.

Diz ainda que, apesar dos afastamentos, não existe risco de paralisação do serviço na capital.

Procurada pelo g1, a empresa ainda não informou o quantitativo de garis afastados.

A companhia fala também que é importante respeitar o dia e o horário da coleta domiciliar. E pede que, em caso de chuva, a população aguarde o caminhão passar e descarte o lixo corretamente nas lixeiras.

 

Crédito: g1

Espaço criado por dois moradores de rua no Centro chama atenção

Lençóis e colchas sempre limpas. Materiais de limpeza e de higiene pessoal ordenados lado a lado fazem companhia a ursos de pelúcia e brinquedos. As roupas são lavadas e dobradas. A delicadeza e o cuidado com que dois moradores em situação de rua organizam objetos recolhidos no lixo têm chamado a atenção de quem passa pela Avenida Rio Branco, no Centro do Rio. Os amigos Guilherme Lúcio de Oliveira, de 30 anos, e Rodrigo Lysias de Oliveira Lima, de 32, moram há cerca de três meses embaixo da marquise do Clube Militar, altura da Cinelândia. No local, eles montaram uma espécie de “casa na rua”.

— Tudo que tenho, encontrei no lixo. Menos o material de limpeza, que ganho ou compro. Eu tinha vergonha de que os outros me vissem jogado na rua, por isso resolvi arrumar tudo. A limpeza, quase que diária dos objetos, é uma forma de terapia para mim. Aqui é tudo bem cuidado — conta Gulherme, que vive na rua há quase três anos.

Após cumprir pena por tráfico, Gulherme foi liberado em 2018 e não encontrou nas ruas a oportunidade que precisava para recomeçar a vida. Ex-morador de uma comunidade na Zona Norte do Rio, tentou ser ajudante de pedreiro e trocador de van, mas não conseguiu se estabelecer e foi para a rua. Por conta do tráfico, não pode voltar para o bairro onde morou. Não tem documentos. Não sabe ler ou escrever.

O morador de rua Guilherme Lúcio de Oliveira tem chamado a atenção Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Certa vez conseguiu falar com a tia pelo telefone quando uma antiga vizinha o reconheceu no Centro. Nem as dificuldades encontradas nas calçadas do Rio conseguiram tirar a esperança de dias melhores.

— Eu me arrependo do caminho que escolhi. Se pudesse voltar a ser criança, faria o certo. Espero que a vida mude, que consiga uma oportunidade de construir uma família. Tenho fé em Deus que isso vai acontecer. Eu preciso de um lar. Hoje, faço bicos para sobreviver.

Quem compartilha a rotina com Guilherme é o “irmão de rua” Rodrigo, que também foi condenado e preso por tráfico. Hoje, Rodrigo não tem mais contato com a família, que mora em Queimados, na Baixada Fluminense. Diariamente os dois varrem a calçada e trocam as roupas de cama. Os dois amigos deixam claro: não gostam de sujeira.

— Somos chatos com as nossas coisas. Lavamos as roupas e colchas lá no MAM (Museu de Arte de Moderna, no Aterro do Flamengo), onde tomamos banho. Aqui é só uma fase, vai passar — acredita Rodrigo.

Guilherme e Rodrigo varrem a calçada onde moram há três meses Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

A comida, quando não distribuem quentinhas, pedem em restaurante.

— Nós não temos vergonha de pedir se for preciso — diz Guilherme.

A vida nas ruas não foi capaz nem de tirar o bom humor dos dois.

— Uma mulher que passou aqui na rua falou “nem lá em casa é arrumado assim” e ficou zoando o marido dela — conta Guilherme, que ri e lembra de outra história: — Já ouvi pessoas na farra da noite, bêbadas, dizendo que dariam tudo para dormir nas nossas camas.

‘Reparem o cuidado, o capricho’: foto repercute nas redes

A história dos dois chegou a viralizar também nas redes sociais. Uma foto tirada pelo artista visual Marcos Chaves foi parar no Instagram da atriz Drica Moraes: “Foto tocante. Muito desemprego, muito morador de rua. Percebam o capricho e o cuidado com essa ‘casa de rua'”. O vereador Chico Alencar (Psol) tambem publicou uma foto nas redes sociais, tirada por Fabio Pereira. “Reparem o cuidado, o capricho, a limpeza. Ninguém gosta de morar na rua. Ninguém deseja isso”.

Limpeza das ruas de Cabo Frio será feita com água de reuso

Pensando em aliar a festa de carnaval com a limpeza das ruas, mas sem deixar de lado a preocupação com o meio ambiente, a prefeitura de Cabo Frio, na Região dos Lagos, vai utilizar a água de reuso para a manutenção da higiene na cidade. A medida foi possível graças a uma parceria do Poder Executivo Municipal com a Prolagos, concessionária responsável pelo serviço de saneamento básico no município.

A partir desta quinta-feira (28), 130 banheiros químicos que serão instalados em diversos pontos da orla, sendo que o caminhão pipa que será usado na operação é que vai transportar a água reutilizada. A medida, na opinião do presidente da Comsercaf, Dario Guagliardi, tornará mais eficiente a limpeza das ruas. Ele também falou sobre a economia que tal ação vai gerar no município.

“Utilizar a água de reuso é uma alternativa sustentável e econômica para manter a cidade mais limpa. A ação vai tornar a limpeza das ruas mais eficiente, adicionalmente gerando economia para os cofres públicos e sem qualquer agressão ao meio ambiente. Além disso, a disponibilização deste equipamento com água de reuso também servirá para a irrigação de plantas em praças e logradouros públicos” – informou Guagliardi.

A água de reuso, proveniente das Estações de Tratamento da Prolagos, também será utilizada para irrigar plantas, limpeza de parques e praças públicas. Conforme a legislação ambiental, ela não pode ser destinada para o consumo humano, mas pode ser utilizada na irrigação de jardins, em indústrias, na construção civil e outros fins secundários.

O prefeito de Cabo Frio, Adriano Moreno, falou que a parceria com a iniciativa privada é “um fator fundamental para o desenvolvimento do município. É o resultado de um trabalho em conjunto em prol do meio ambiente e da melhoria da qualidade de vida dos cidadãos cabofrienses”.