Ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella vira réu acusado de corrupção

A 1ª Vara Criminal Especializada do Rio de Janeiro aceitou ontem (3) denúncia contra o ex-prefeito carioca Marcelo Crivella e outros 25 acusados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. Crivella foi preso em dezembro de 2020 e afastado do cargo dias antes de encerrar seu mandato.

Ele é acusado de participar de um esquema de recebimento de propina para beneficiar empresários. A Justiça considerou o conteúdo de colaborações premiadas, trocas de mensagens entre os acusados, planilhas, cheques e fotografias.

De acordo com as investigações, o esquema contava com operadores que agilizavam pagamentos para empresas específicas e interferiam nos processos de licitação, de forma a beneficiar aqueles empresários que assentiam em pagar propina aos acusados.

O caso inicialmente foi analisado pelo Primeiro Grupo das Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Rio, mas com a perda do foro privilegiado de Crivella, devido ao fim de seu mandato, o processo foi remetido à 1ª Vara Criminal Especializada do Rio.

A reportagem entrou em contato com a defesa de Crivella e aguarda uma resposta. No dia em que foi preso, em 22 de dezembro, o ex-prefeito disse estar sendo vítima de perseguição política e afirmou que combateu a corrupção na prefeitura.

 

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

STJ concede prisão domiciliar a Crivella e define uso de tornozeleira

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, revogou na noite desta terça-feira a prisão preventiva do prefeito afastado do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), pela prisão em regime domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica.

No entanto, Crivella terá diversas restrições, como a proibição de manter contato com terceiros, além de entregar seus telefones, computadores e tablets para as autoridades. O prefeito afastado também não poderá deixar sua residência sem autorização e está proibido de usar telefones.

Segundo a decisão, as medidas cautelares são válidas até que o ministro Antônio Saldanha Palheiro, relator do habeas corpus impetrado pela defesa de Crivella, analise o mérito do pedido, algo que deve acontecer somente após o recesso de fim de ano.

O presidente do STJ afirmou que a decisão da desembargadora Rosa Helena Guita, do Primeiro Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, fundamenta a necessidade de restringir a liberdade do prefeito afastado. Porém, não justificava a prisão preventiva.

“Não obstante o juízo tenha apontado elementos que, em tese, justifiquem a prisão preventiva, entendo que não ficou caracterizada a impossibilidade de adoção de medida cautelar substitutiva menos gravosa”, comentou.

Além disso, em sua decisão, o ministro mencionou que Marcelo Crivella, com 63 anos de idade, integra o grupo de risco da covid-19 e que esse seria mais um motivo para que a prisão preventiva fosse substituída pelo regime domiciliar.

Um dos pontos levantados pelo presidente do STJ para revogar a prisão preventiva de Crivella é que o prefeito afastado do Rio, com 63 anos, faz parte do grupo de risco da covid-19 – Foto: Tânia Rêgo /Agência Brasil

A defesa de Marcelo Crivella disse no pedido de habeas corpus que prisão era ilegal e uma clara demonstração de criminalização da política. “A prisão foi decretada com base em presunções genéricas e abstratas, desamparadas de qualquer base legal, sendo certo que o prefeito terá sua inocência demonstrada no curso do processo”, afirmaram os advogados.

Crivella e outras seis pessoas foram presas nesta terça, durante ação perpetrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e Polícia Civil, dentro da Operação Hades, que apura denúncias de corrupção na prefeitura do Rio e se baseia na delação do doleiro Sergio Mizrahy.

Após audiência de custódia na tarde desta terça, Crivella chegou a dar entrada no sistema prisional, mas horas depois acabou sendo beneficiado com a decisão do STJ.

Entenda o que levou Marcelo Crivella à prisão

A operação conjunta do Ministério Público do RJ e da Polícia Civil, que apura um esquema de corrupção na Prefeitura do Rio, prendeu na manhã desta terça-feira (22) seis pessoas, entre elas, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), e o empresário Rafael Alves, apontado como operador do pagamento de propina.

A ação é um desdobramento da Operação Hades, que foi deflagrada em março e investiga um suposto “QG da Propina” na Prefeitura do Rio. No esquema, de acordo com as apurações do MP, empresários pagavam para ter acesso a contratos e para receber valores que eram devidos pela gestão municipal.

As investigações, iniciadas no ano passado, partiram da colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy. Ele foi preso na Operação Câmbio, Desligo, um desdobramento da Lava Jato no Rio.

No depoimento, Mizrahy chama um escritório da prefeitura de “QG da Propina” e diz que o operador do esquema era Rafael Alves. Ele também afirma, segundo os promotores, “que Rafael Alves se referia ao prefeito Marcelo Crivella como 01 (zero um) e que, em determinada transação financeira realizada em março de 2018, restou explícito em mensagens trocadas pelo aplicativo Whatsapp que certa quantia em dinheiro seria destinada ao prefeito”.

Mizrahy cita ainda que Rafael Alves arrecadou dinheiro de empresas para a campanha de Crivella, em 2016.

A investigação analisou quase 2 mil mensagens trocadas entre Crivella e Rafael Alves e mostra que os dois são muito próximos — marcavam reuniões de madrugada ou caminhadas bem cedo.

Os mandados desta terça-feira (22) foram cumpridos pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) da Polícia Civil e do Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (Gaocrim), do MPRJ. A decisão é da desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita.

Além de Crivella, foram presos também:

  • Rafael Alves, empresário apontado como operador do esquema;
  • Fernando Moraes, delegado aposentado;
  • Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha de Crivella;
  • Adenor Gonçalves dos Santos, empresário;
  • Cristiano Stockler Campos, empresário.

Na decisão que acarretou na prisão dos denunciados, a desembargadora diz que a troca de vantagens e o recebimento de propinas por parte dos membros do citado grupo criminoso se estendeu pelas mais variadas pastas, atingindo cifras milionárias.

Suposto esquema criminoso na Prefeitura do Rio segundo denúncia do Ministério Público do Rio — Foto: Reprodução / TV Globo

Prisão de Crivela

Crivella foi preso em casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, por volta das 6h. Ele foi levado diretamente para a Cidade da Polícia, na Zona Norte. Antes de entrar na Delegacia Fazendária, ele disse que foi o prefeito que mais combateu a corrupção e que espera por “justiça”.

“Lutei contra o pedágio ilegal, tirei recursos do carnaval, negociei o VLT, fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro”, disse Crivella. Questionado sobre sua expectativa a partir de sua prisão, o prefeito se restringiu a responder: “justiça”.

A desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, que autorizou a prisão, determinou o afastamento do prefeito, que encerraria o mandato daqui a 9 dias. Quem assume interinamente é o vereador Jorge Felippe (DEM), presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Eduardo Paes toma posse no dia 1º de janeiro.

“Sem cargo na prefeitura”

Segundo as investigações, o empresário Rafael Alves tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos na campanha de 2016. Mesmo sem nenhum cargo na prefeitura, Alves dava expediente na Cidade das Artes, numa sala ao lado do irmão, que foi presidente da Riotur.

Em algumas mensagens interceptadas durante as investigações, Rafael Alves chegou a dizer que fez o irmão se tornar presidente da Riotur. Além disso, afirmou possuir a “caneta”, sugerindo dar as ordens na prefeitura do Rio, nomeando quem quisesse para cargos e escolhendo as empresas que iriam fazer contratos com o município.

Marcelo Alves foi exonerado da Riotur dias depois da operação, em 25 de março.

Em seu depoimento, Mizrahy afirma que empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.

As investigações mostram que Rafael também costumava acionar Crivella para pedir favores. Um deles chamou a atenção do Ministério Público: o empresário pediu ao prefeito que impedisse a demolição da casa do senador Romário.

“Vértice da organização criminosa”

O MPRJ denunciou ao todo 26 pessoas – incluindo Crivella e Alves – pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva.

No documento, os promotores citam que Crivella é o “vértice da organização criminosa” e que Rafael Alves, Mauro Macedo (ex-tesoureiro da campanha de Crivella) e Eduardo Benedito Lopes compõem o “primeiro escalão” da quadrilha, mesmo sem exercerem qualquer cargo oficial na Prefeitura”.

No entanto, ao autorizar a Operação Hades, em setembro, desembargadora Rosa Helena Guita, citou uma frase que traduz o poder de Rafael Alves sobre o prefeito Crivella: “A subserviência do prefeito a Rafael Alves é assustadora”.

Fonte:g1.com

‘Falta dinheiro’, afirma Crivella sobre recursos para diminuir desastres causados por temporais no Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, disse nesta terça-feira (9) que falta dinheiro para investir na redução de efeitos de temporais na cidade. Afirmou que a prefeitura não tem recursos para, por exemplo, realocar pessoas que moram em áreas de risco para locais seguros ou para construir novos reservatórios subterrâneos (piscinões) que sirvam para escoar enchentes.

“Temos milhares de famílias morando em área de risco. Temos 750 mil bueiros que precisam ser limpos constantemente. Agora, os recursos para isso são pequenos. Dependemos de parcerias com o governo federal. A cidade do Rio de Janeiro contribui para o governo federal com R$ 160 bilhões por ano com impostos. E só recebemos de lá para cá, com muita dificuldade, R$ 5 bilhões”, disse o prefeito.Segundo ele, nos últimos três meses, a prefeitura não conseguiu, por exemplo, assinar nenhum novo contrato para construção de novas moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, ou para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das encostas. Crivella também reclamou dos altos juros de empréstimos do governo federal para a cidade.

Crivella disse que é preciso rever o pacto federativo e dar mais autonomia para que as cidades possam obter seus recursos.

Morro da Babilônia

Duas pessoas morreram e uma está desaparecida por causa de desabamentos no Morro da Babilônia, no Leme,  zona sul da cidade,em razão das chuvas que atingiram o Rio nas últimas horas.

Apesar disso, a sirene de alerta de deslizamentos do morro não soou, porque, segundo Crivella, o equipamento só é acionado com 45 milímetros de chuva por hora. E, no morro, choveu menos do que isso (39 mm).

O prefeito disse que, por causa disso, vai estudar rever mais uma vez os protocolos de acionamento das sirenes. Em fevereiro, quando as chuvas mataram sete pessoas, a prefeitura já tinha revisto o protocolo, ao reduzir de 55 mm para 45 mm o limite mínimo para que o equipamento alerte a população pessoas.

Entre a noite de ontem e a manhã de hoje, as sirenes soaram em 26 comunidades, onde, a princípio, não houve vítimas. Crivella pediu para que, por enquanto, os moradores dessas áreas não retornem para suas casas por causa do risco de deslizamento.

Uma terceira pessoa, um motociclista, morreu afogado na Gávea, ao ser arrastado pela enxurrada.

Situação da cidade

Segundo o prefeito, a situação mais crítica na cidade na manhã de hoje é a interdição de vias de ligação entre a Barra da Tijuca e a zona sul. Crivella pediu que as pessoas evitem se deslocar entre a Barra e a zona sul, mas, se for necessário, que usem o Metrô ou transitem pelas Linhas Amarela e Vermelha.

Ele acredita que a tendência agora é, em poucas horas, a cidade voltar à normalidade no decorrer do dia. “As águas estão escoando. A volta para casa [à tarde] deve ser bem melhor do que ontem”, disse.

O prefeito do Rio explicou que a intensidade da chuva surpreendeu a prefeitura. O mau tempo começou na hora mais crítica para a cidade: no horário de saída das pessoas do trabalho e o momento em que as pessoas tiram lixo de suas casas.

Ele disse que, na próxima chuva, a ideia é que os homens e equipamentos da prefeitura, como reboques, sejam previamente posicionados nas regiões que serão afetadas para agilizar o atendimento à população e aliviar engarrafamentos.

O prefeito também afirmou que planeja construir um reservatório subterrâneo no Jockey Club do Brasil para escoar as águas do Jardim Botânico e evitar o alagamento do bairro, que foi muito afetado pelas chuvas das últimas horas.

Fonte: EBC

Prefeitura do Rio não investiu em prevenção para enchentes e desastres em 2019

Um levantamento realizado pelo Globo nesta terça-feira (9), com base no portal Rio Transparente, aponta que a Prefeitura Municipal do Rio não investiu, até o momento, em manutenção na drenagem da cidade e na contenção de encostas. O valor pago para empreiteiras contratadas para realizar serviços de drenagem, de mais de R$ 8 milhões, foi utilizado somente para quitar serviços prestados no ano passado. O temporal que atingiu a cidade e o Estado do Rio no início desta semana e que causou três mortes é o terceiro só em 2019.

A Prefeitura também não destinou recursos para a contenção de encostas. Na chuva da noite desta segunda-feira (8) e na madrugada de hoje (9), duas irmãs, vizinhas, morreram devido a um deslizamento de terra no Morro da Babilônia, no Leme, Zona Sul da cidade. As vítimas foram identificadas como Doralice do Nascimento, de 55 anos, e Gerlaine do Nascimento, de 53. Além delas, um homem também desapareceu no local A Geo-Rio não autorizou o investimento de verba para esse tipo de obra neste ano.
Em 2018, a prefeitura gastou pouco mais de R$ 37 milhões com a drenagem, incluindo faturas pagas em 2018. No ano anterior, o investimento foi ainda menor: R$ 27,4 milhões. Em 2016, último ano de Eduardo Paes à frente da Prefeitura do Rio, a prefeitura aplicou cerca de R$ 62 milhões para o serviço.