BPRv de Rio Bonito prende um dos líderes da milícia de São João de Meriti

Parece que não passa nada, nem ninguém no posto do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) de Boa Esperança, em Rio Bonito. Na madrugada desta sexta-feira (1), os agentes prenderam Evandro da Costa de Souza, o Vando, que é apontado como um dos líderes da milícia em São João de Meriti.

Segundo os policiais, eles estavam em patrulha de rotina no posto, quando pararam um veículo com dois ocupantes. Ao verificarem os documentos do motorista, constava um mandado de prisão em aberto de julho do ano passado, por porte ilegal de arma de uso restrito. Ele também responde por associação e organização criminosa.

O acusado foi encaminhado para a 119ª Delegacia de Polícia de Rio Bonito

Suspeito de ser o ‘braço direito’ do chefe da maior milícia do RJ, é preso em São Paulo

A força-tarefa da Polícia Civil do Rio de Janeiro para combater a ação de milícias no estado prendeu na tarde desta quinta-feira (17), em São Paulo, o suspeito Rodrigo dos Santos, mais conhecido como “Latrell”.

Com um fuzil tatuado no peito e os dizeres “carrego a glória e a dor de viver do meu jeito”, Latrell é apontado pelos investigadores como sendo o “braço direito” de Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho, que atualmente está à frente da maior milícia no Rio.

De acordo com a a polícia, Latrell é o segundo homem na hierarquia da milícia. Ele também é suspeito de ser o responsável por recentes execuções cometidas pela organização criminosa.

Segundo informações da Polícia Civil, Latrell também era um dos nomes de confiança de Wellington da Silva Braga, o Ecko, enquanto este ainda estava vivo.

Participaram da operação para prender Latrell nesta tarde agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e da Polinter. A ação contou com o apoio da Polícia Civil de São Paulo.

Crédito: Portal g1

Polícia Civil prende seis homens durante operação contra a milícia em condomínio no Itanhangá

A Polícia Civil prendeu seis homens, na noite desta quinta-feira (24), durante uma operação contra a milícia em um condomínio próximo a comunidade Rio das Pedras, no Itanhangá, Zona Oeste do Rio.

Um dos presos é o miliciano Fabiano Cordeiro Ferreira, conhecido como mágico e considerado um dos chefes da milícia de Rio das Pedras. Os policiais também prenderam os milicianos Thiago Bastos Morais, conhecido como Digão, Daniel Cristinho, o Buiú, João Henrique Pedro da Silva, também chamado de Pézão, Ilán Andrade dos Santos e Marcos Alves de Souza.

De acordo com a polícia, a operação é consequência de uma investigação de cerca de 2 meses e que faz parte do projeto Cidade Integrada.

Durante a operação, os agentes apreenderam celulares, jóias, armas e munições, além de 3 motos e um carro.

Crédito: g1.globo.com

Polícia Civil prende ‘Mochila’, apontado como líder da milícia em Queimados

A Polícia Civil prendeu, na última terça-feira (15), um homem apontado como o líder da milícia que atua em Queimados, na Região Metropolitana do Rio. O suspeito, conhecido como “Mochila”, 29 anos, foi encontrado com uma pistola 9 mm. com o número de identificação raspado, munições e o caderno com a contabilidade do grupo criminoso.

Os agentes da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco) encontraram o suspeito em um flat no bairro Vila Nascente, no município da Região Metropolitana. Ele passou a ser apontado o homem mais importante do grupo paramilitar após a prisão de Anderson Ayrão de Siqueira, conhecido como “Leite Ninho”. Contra “Mochila”, existiam dois mandados de prisão em aberto por homicídio.

 

 

Crédito: Jornal O Dia

Estado do Rio tem 80% da venda de botijões de gás controlado pelo tráfico e pela milícia

Em um dos tentáculos do crime organizado no Rio, até 80% do mercado de botijões de gás de cozinha estão nas mãos de milicianos e traficantes, segundo a Associação Brasileira dos Revendores de GLP (Asmirg). É diante dessa realidade que tanto o governo federal quanto o estadual lançaram recentemente programas para ajudar a população mais vulnerável a comprar esse item tão básico do cotidiano. E uma encruzilhada se impõe: o temor de que o alívio no orçamento das famílias acabe, no fim da linha, alimentando indiretamente os caixas das quadrilhas que controlam o negócio. Só com a primeira parcela do Auxílio Gás do Ministério da Cidadania, paga ao longo deste mês, entre R$ 18 milhões e R$ 20,6 milhões podem parar nos cofres de distribuidores ligados ou explorados pelos criminosos.

O problema ocorre, sobretudo, em favelas e áreas conflagradas, onde as quadrilhas agem cooptando vendedores clandestinos, impondo ágio sobre o preço normal, obrigando consumidores a pagarem mais caro pelo gás e até lavando dinheiro oriundo de outras práticas ilícitas. De acordo com a Asmirg, que reúne comerciantes do gênero de todo o país, a situação é especialmente grave na Região Metropolitana, que concentra 72,5% das famílias favorecidas pelo auxílio federal, cujo pagamento da primeira parcela vai até 31 de janeiro.

— O Rio de Janeiro virou uma realidade à parte no setor. A pessoa tem uma revenda regularizada, mas, se o funcionário atravessa a rua e faz negócio onde não deve, pode ser executado — lamenta Alexandre José Borjaili, presidente da Asmirg há 15 anos, que prossegue: — Sabemos que de 70% a 80% do mercado do estado encontram-se nessa situação. Esse cenário faz com que qualquer ação do governo tenha muita dificuldade de chegar ao consumidor final. Digo isso não só em relação ao vale-gás, mas também quando há alguma política estatal que tenta fazer controle de preços. Se é o crime que, em última instância, controla a venda, do que adianta?

No caso do Auxílio Gás federal, o objetivo é amenizar os efeitos da inflação galopante para 494.934 famílias fluminenses, que receberão R$ 52 para ajudar na compra do botijão. O benefício, que pagará um total de R$ 26 milhões a moradores do Rio nesta primeira parcela, se soma a um voucher com o mesmo fim anunciado na última semana pelo estado, destinado a áreas atendidas pelo recém-lançado projeto Cidade Integrada. Na semana passada, o governador Cláudio Castro afirmou que a proposta de fornecer um voucher, e não a quantia em espécie, tem justamente o objetivo de evitar que o dinheiro pare nas mãos do crime.

 

Os números do setor apontam o quão lucrativos podem ser os negócios ilegais. O Rio é responsável pelo terceiro maior mercado de gás de cozinha do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. O estado conta com 1.815 revendas varejistas devidamente autorizadas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável por fiscalizar o setor. São pouco mais de 2 milhões de botijões comercializados todos os meses, dos quais ao menos 1,4 milhão, nas contas da Asmirg, fazem parte da cadeia controlada pelo crime organizado.

A pesquisa periódica da ANP aponta que, atualmente, o preço médio do botijão de 13kg em solo fluminense é de R$ 92,31. Já investigações da Polícia Civil indicam que a taxa imposta pelos bandidos costuma ser de, no mínimo, 20% sobre o valor original, o que faz com que, nessas áreas, o produto custe ao menos R$ 110, podendo ir a R$ 120 ou R$ 130. Uma matemática que resulta em um lucro bruto mensal superior a R$ 25 milhões com a prática criminosa estado afora — valor, aliás, similar ao total a ser desembolsado pelo governo federal, no Rio, nesta primeira parcela do Auxílio Gás.

A venda dos botijões, porém, não é vantajosa para o crime apenas pelo faturamento milionário. Em abril de 2020, uma grande operação da Polícia Civil prendeu quatro suspeitos de lavarem dinheiro para uma milícia que agia em Nova Iguaçu e Seropédica, na Baixada Fluminense. O esquema envolvia revendedoras de gás e, segundo os investigadores, movimentou quase R$ 200 milhões em cinco anos. Seis meses antes, outra ação havia colocado atrás das grades Fábio Pinto dos Santos, o Fabinho São João. Chefe do tráfico nas favelas de São João e de Manguinhos, ele criou empresas de distribuição de gás no nome de parentes e as utilizava para tentar legitimar o ganho com a venda de droga.

— Eles usam uma técnica de mescla para lavar o dinheiro. Pegam recursos supostamente limpos, porque a venda de gás, mesmo que não regularizada, gera renda, e incluem no fluxo outros negócios da quadrilha. Se você olha os números a fundo, é como se a empresa comercializasse botijão para o Brasil inteiro — afirma o delegado Thiago Neves Bezerra, que participou das duas investigações e hoje comanda a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco): — Nessas regiões, a maioria das pessoas compra em espécie, não tem nota fiscal nem controle, e por isso a venda de gás é tão utilizada com esse fim.

Na última quarta-feira, em meio às primeiras operações do Cidade Integrada no Jacarezinho e na Muzema, a Delegacia de Defesa de Serviços Delegados (DDSD) fechou três depósitos ilegais de gás de uma vez em Rio das Pedras, um dos maiores redutos milicianos do Rio, e prendeu sete suspeitos. Ainda no contexto do novo projeto, o governo estadual anunciou que o auxílio deverá ser utilizado apenas em distribuidores regulamentados, de modo a “cortar a fonte de renda das quadrilhas”. Questionado pelo GLOBO, o governo não comentou o domínio criminoso sobre o mercado de gás nem como pretende fazer o controle do benefício recém-criado, o que tampouco foi esclarecido na apresentação oficial do programa, no sábado.

Origem nas milícias e rápida expansão para o tráfico

O início da exploração da venda dos botijões de gás remonta à expansão das milícias na cidade do Rio, na virada dos anos 2000. Tal qual faziam com outros serviços básicos, como o sinal de televisão e a internet, os paramilitares passaram a controlar o setor a mão de ferro, exercendo monopólio quase total em suas áreas de atuação. De lá pra cá, contudo, o mesmo modus operandi foi adotado por traficantes de diversas regiões.

Um dos primeiros a empregar essa tática foi Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, morto pela polícia em 2019, após quase duas décadas chefiando a venda de drogas em favelas da Ilha do Governador, na Zona Norte. No bairro, tanto a venda de botijões quanto a circulação de vans — outra prática com origem nas milícias — rendiam farto lucro ao criminoso.

Em 2004, investigações e informações colhidas pelo Disque-Denúncia (21 2253-1177) já apontavam que, no esteio um auxílio para compra de gás pago à época pelo governo federal, várias comunidades cariocas registravam monopólio do comércio de botijões por parte do tráfico, que impunha sobretaxas aos moradores. Além da própria Ilha do Governador, a prática foi constatada, na ocasião, em locais como Borel, Salgueiro, Mangueira, Manguinhos, Vidigal, Rocinha e nos complexos da Maré e do Alemão, entre outras favelas.

O mesmo Disque-Denúncia continua recebendo, passados 18 anos, relatos frequentes sobre o problema. Foram 14 contatos do gênero junto ao serviço desde o início de 2021, dois terços relacionados à atuação do tráfico, e o restante de milícias — além de denúncias nas quais os dois grupos aparecem agindo em conluio para maximizar o faturamento. As queixas abrangem comunidades em Guaratiba, Jacarepaguá, Colégio e Bangu, todos bairros da capital, além dos municípios de Duque de Caxias, Belford Roxo e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, e das cidades de Itaboraí e Petrópolis.

Nos últimos anos, com o aumento das ações repressivas contra os depósitos clandestinos, os grupos criminosos vêm mudando de estratégia para tentar driblar a polícia. Se antes era comum encontrar espaços com centenas de botijões armazenados, hoje as quadrilhas preferem pulverizar a atividade em distribuidores menores, mantendo vários pontos de abastecimento.

— É uma maneira de tentar diminuir o prejuízo, já que os botijões também acabam apreendidos, e não são devolvidos. Além disso, muitas vezes o responsável pelo local tenta argumentar que aqueles botijões não são para venda, mas de posse pessoal, por mais óbvia que seja a mentira — explica o delegado Pedro Bittencourt, da DDSD, lembrando também o risco inerente ao armazenamento inadequado desse tipo de material: — Existem várias exigências técnicas que um distribuidor legalizado precisa cumprir. Já tivemos casos, inclusive, de explosão nesses locais.

Procurada, a Polícia Civil reforçou os dados repassados pelo delegado da DDSD e frisou a atuação da Força-Tarefa de combate às milícias, que, de acordo com a corporação, já prendeu mais de 1.100 paramilitares. Ainda segundo o órgão, o prejuízo causado às quadrilhas com a atividade do grupo especializado, que reúne várias delegacias, é de cerca de R$ 2,2 bilhões. Já o Ministério da Cidadania não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o tema.

A ANP, por sua vez, informou que “desconhece a fundamentação técnica e cientifica dos cálculos relativos às atividades criminosas relacionadas com o comércio de GLP”. A agência afirmou ainda que tem “preocupação constante” com “situações de irregularidades no mercado de combustíveis” e que atua “de forma direta no combate às irregularidades administrativas e em parcerias com os órgãos de segurança pública, quando há envolvimento de práticas criminosas”. “Nesse cenário”, acrescenta a ANP, “é importante estimular e valorizar a atividade regular”.

 

Crédito: Jornal Extra