Três acusados de envolvimento com milícia são presos em Arraial do Cabo, RJ; dois são suspeitos de duplo homicídio em Nova Iguaçu

Três homens foram presos na manhã desta terça-feira (23) em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio. Eles são apontados pela Polícia Civil como milicianos. Dois deles são suspeitos, ainda, de executarem dois homens em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Segundo a Polícia Civil, as vítimas do duplo homicídio eram dois jovens, que a polícia acredita que tinham envolvimento com o tráfico de drogas. O crime aconteceu no dia 2 de junho deste ano.

Os presos com mandados de prisão temporária por duplo homicídio têm 31 e 32 anos. O terceiro preso tem 36 anos, contra ele foi cumprido mandado de prisão preventiva por crime de constituição de milícia privada.

A ação foi realizada por Policiais Civis da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense-DHBF, coordenados pelo Delegado Titular, Uriel Alcântara Machado.

A polícia teve acesso a um vídeo que foi publicado nas redes sociais na época das execuções e mostra o momento em que o suspeito de 32 anos atira contra as vítimas que estavam deitadas no chão. O suspeito de 31 anos dirigia o carro usado no crime.

Investigações do duplo homicídio

A polícia trabalha com a possibilidade de que as vítimas estivessem envolvidas no tráfico de drogas no Morro do Cotó, em Nova Iguaçu, de onde estavam caminhando quando foram abordadas pelos autores no meio da rua e obrigados a deitarem no chão para serem executados. Ainda de acordo com a polícia, o homem que efetuou os disparos já tinha sido preso pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense em maio de 2020, e já estava em liberdade.

Os dois executores foram identificados e tiveram suas prisões temporárias decretadas pela Justiça. Na época, os criminosos fugiram da localidade onde agiam. Recentemente, a polícia recebeu informações de que eles estavam escondidos em Arraial do Cabo.

Os policiais da DHBF realizaram trabalho de inteligência e monitoramento e localizaram e prenderam os dois foragidos em casas no distrito de Figueira, onde supostamente estavam aliados a outros criminosos envolvidos em homicídios e atividades típicas de milícia.

Junto com a dupla também estava também o terceiro preso, que foi investigado pela DHBF e é réu em ação penal por grupo de milicianos que agia no bairro Cerâmica e adjacências em Nova Iguaçu e estava foragido desde maio de 2020.

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Operação da Polícia Civil prende 15 suspeitos de ligação com a milícia da Muzema e Rio das Pedras, no Rio

Quinze pessoas já foram presas em operação contra acusados de lavagem de dinheiro de grupos paramilitares nas comunidades da Muzema e Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.

A investigação apontou movimentações financeiras de R$ 8,5 milhões em apenas um ano por parte dos principia alvos: Laerte Silva de Lima e Francisco das Chagas de Brito Castro.

No período investigado, Francisco relatou que trabalhava como encarregado de obras e ganhava R$ 4 mil por mês e Laerte apontou diversas ocupações que não explicam tamanha movimentação financeira.

A dupla é acusada de usar diversas pessoas e empresas de fachada para movimentar o capital ilícito. Entre as técnicas usadas para lavar dinheiro conversão de ativos em bens, criação de empresas de fachada e aquisição de criptomoedas.

Uma das empresas alvo de mandados de busca e apreensão é investigada no inquérito que apura a morte de 24 pessoas após um desabamento de prédios na Muzema em 2019.

O grupo também é acusado de crimes típicos de milícia como parcelamento ou loteamento ilegal do solo, desmatamento, bem como venda e locação de imóveis irregulares.

 

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Guerra entre milícias da Zona Oeste do Rio: Tandera quer explorar vans em área rival

As oito vans incendiadas, na última quinta-feira (16), em bairros da Zona Oeste do Rio, que tem a milícia liderada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, teria um recado além do enfrentamento por parte do seu principal inimigo, Danilo Dias Lima, o Tandera: a coação aos motoristas do transporte alternativo.

Investigações da Polícia Civil apontaram que Tandera estaria tentando extorquir os motoristas das vans que circulam por Campo Grande, Santa Cruz e Sepetiba, os obrigando a pagar para ele a taxa ilegal para conseguir trabalhar.

De acordo com a corporação, além dessa exploração representar uma expansão territorial, ela também renderia um lucro exorbitante, já que cada dono de van tem que pagar de R$ 500 a R$ 700 por semana para o grupo de Zinho.

Segundo a apuração policial, antes dos ataques, Tandera, que atua principalmente na Baixada Fluminense, foi aos pontos finais dos coletivos e avisou aos despachantes das linhas que se eles não pagassem a ele, iria atear fogo nos veículos.

Delegacia de Campo Grande apura dois ataques

O primeiro atentado aconteceu no início da madrugada do último dia 16. Logo depois da meia noite, quatro ocupantes de um Vectra cinza fecharam uma van da linha Pedra x Campo Grande, quando ele descia o viaduto próximo da Delírio da Zona Oeste.

A 35ª DP (Campo Grande) apurou que um dos criminosos desceu do carro armado com uma pistola para abordar o motorista, entrou no coletivo e ordenou que ele seguisse o Vectra.

Na Rua Almerindo de Castro, os bandidos, que seriam ligados a Tandera, mandaram o motorista descer e sair sem olhar para trás, e, em seguida, incendiaram a van. Todos estavam vestidos de preto, encapuzados e armados, de acordo com a polícia.

Os outros crimes aconteceram já durante a manhã. Por volta das 9h, no ponto final das vans, na Rua Toledo, na localidade do Campinho, cinco homens usando roupas pretas e portando fuzis, chegaram em um veículo Ônix branco.

Eles teriam chegado gritando para os motoristas e cobradores não fugirem e ainda deram tiros para o alto. Neste local, os criminosos atearam fogo em duas vans.

Os milicianos ainda incendiaram vans em Santa Cruz e Paciência.

Homicídios em Santa Cruz podem estar ligados a guerra entre milicianos rivais

Ainda na quinta-feira, dia 16, dois homens, que não tiveram suas identidades divulgadas, foram assassinados, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

A Polícia Civil vai apurar se as vítimas, que foram executadas com tiros de fuzil, seriam fiscais de cobrança responsáveis por repassar o dinheiro das vans para a milícia do Zinho, e, por isso, foram assassinados pelo grupo do Tandera.

Disputa entre Tandera e Zinho levou clima de terror a moradores

A sequência de ataques acabou refletindo na rotina dos moradores de diversos bairros da Zona Oeste. Eles relataram que houve determinação de toque de recolher e proibição de circulação de transporte pelas ruas de Campo Grande, Santa Cruz, Sepetiba e Paciência.

Segundo os populares, a ordem veio ainda durante a tarde do dia 16, avisando que após às 17h os milicianos não queriam ver mais ninguém nas ruas.

Mesmo morando em Sepetiba, onde não houve ataques, um auxiliar de logística de 28 anos, que sai no final da tarde para trabalhar, acabou não conseguindo transporte e voltando para casa.

“O morador sempre fica a mercê, é a população que sofre no meio dessa guerra entre milicianos. Na quinta, nem consegui ir ao trabalho, não tinha como ir, não tinha van, e motorista de aplicativo também não queria rodar por aqui por medo. Costumo pegar a van em no máximo 20 minutos, fiquei uma hora e meia no ponto e nada. Fora o medo de ficar no ponto, de estar na rua”, contou.

Morador de Santa Cruz, um jovem falou que o sentimento foi de desespero. “Eu estava a cerca de 300 metros de distância de onde ocorreram os tiros e o incêndio nas vans, na Avenida João XXIII. O sentimento foi de desespero, tudo fechou, não tinha ninguém na rua”, desabafou.

Polícia aumentou as rondas para controlar a situação

Logo após tomarem conhecimento de que uma van foi incendiada pela milícia, ainda durante a madrugada do dia 16, policiais da 35ª DP (Campo Grande) foram para a reforçar o patrulhamento e fazer buscas pelos suspeitos.

O mesmo procedimento foi feito pela Polícia Militar. De acordo com o tenente coronel Ivan Blaz, porta-voz da PM, a corporação chegou a desmobilizar uma operação para ocupar a região dominada pela milícia.

“Assim que tomamos ciência dos primeiros ataques em Campo Grande e Santa Cruz, desmobilizamos uma operação na Vila Kennedy e concentramos os apoios de todos os batalhões da Zona Oeste naquela região. O Objetivo principal era estabilizar o terreno para que as linhas de vans que fazem o transporte da população até as rodoviárias e estações de BRT voltassem a circular”, explicou o oficial.

Blaz também informou que por conta do clima de tensão, foi necessário ainda o apoio de equipes do Recom e do Batalhão de Choque, além de aeronaves, para reforçar o patrulhamento.

 

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Pelo menos três pessoas morrem na guerra que se instaurou na Zona Oeste do Rio após racha na milícia que já foi de Ecko

Um racha na maior milícia do estado levou a uma manhã de terror em diferentes pontos da Zona Oeste do Rio nesta quinta-feira (16). Pelo menos três pessoas foram mortas, vans foram incendiadas, e moradores relataram intenso tiroteio.

A Estrada de Campinho chegou a fechar. Viações retiraram ônibus de circulação ou alteraram rotas em Santa Cruz, Paciência, Sepetiba, Campinho e Campo Grande, para preservar a vida de motoristas e passageiros. Vans deixaram de rodar na região.

Segundo a Polícia Militar, o policiamento na região de Campo Grande e Santa Cruz foi reforçado com equipes dos batalhões de Rocha Miranda, Campo Grande, Bangu, Santa Cruz, Recreio dos Bandeirantes, e Irajá.

De acordo com a polícia, a área vem sofrendo reflexos de disputas territoriais entre facções criminosas. O reforço tem como objetivo garantir o retorno do transporte público com segurança na região.

A TV Globo apurou que o grupo paramilitar que já foi de Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto em uma ação da polícia em junho, se dividiu em facções rivais e opôs os antigos aliados Danilo Dias Lima, o Tandera, e Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho — este, irmão de Ecko.

Ecko já tinha rompido com Tandera no fim de 2020, por desentendimentos.

As quadrilhas dos paramilitares de Ecko, Tandera e Zinho extorquem dinheiro de moradores e comerciantes, a fim de oferecer uma pretensa segurança, e exploram diversas atividades — como o sinal clandestino de internet e TV, o monopólio da venda de água e de gás e o transporte por vans.

Execução como estopim

O ataque desta quinta teria partido de Tandera, que domina áreas da Baixada Fluminense, como Seropédica e partes de Nova Iguaçu. O estopim para o confronto foi a execução, na tarde desta quarta (15), de duas pessoas na Estrada de Madureira, na altura do bairro Dom Bosco, um dos redutos de Tandera em Nova Iguaçu.

Em represália, Tandera ordenou que se incendiassem veículos na área de Zinho. Os milicianos atearam fogo a pelo menos sete vans nos pontos da Praça da Alegria, em Campo Grande, na Rua Agai, em Paciência, e na Avenida João XXIII, em Santa Cruz. Na invasão, uma terceira pessoa foi morta.

Crédito: g1.globo.com/rj

Prefeitura e gabinete de vereador são alvos de operação contra o braço político na milícia de Nova Iguaçu

O cerco contra as milícias está se fechando a cada dia. A Polícia Civil realizou na manhã de hoje, terça-feira (24) uma operação contra o braço político da milícia de Austin, em Nova Iguaçu. A Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro está nas ruas para cumprir 21 mandados de busca e apreensão nas sedes das Secretarias de Economia, Planejamento e Finanças e de Infraestrutura do município, e também no gabinete do vereador Jeferson Ramos (MDB). A polícia também esteve em condomínios de luxo na Barra, Zona Oeste do Rio, e Cabo Frio, na Região dos Lagos

O vereador é ex-secretário de obras, e suspeito de favorecer área de milícia com obras de calçamento em troca de apoio político. Jeferson Ramos foi preso por porte ilegal de arma em uma operação contra milícia de Austin feita pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense em 2019.

A secretária de infraestrutura do município, Cleide de Oliveira Moreira, também é alvo da operação. Eles são investigados por organização criminosa, crimes contra licitação e peculato.

De acordo com a Polícia Civil, há indícios de fraudes em licitações feitas pelo município e desvio de recursos públicos para áreas sob domínio da milícia. Um dos contratos investigados custou mais de R$17 milhões. Os policiais desconfiaram da adoção de modalidades licitatórias presenciais, apesar da recomendação do Tribunal de Contas para modalidades eletrônicas, da liquidação e pagamento das empresas suspeitas fora do cronograma financeiro e da falta de transparência no processo licitatório.

Segundo o delegado titular da Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro, Thales Nogueira Braga, a investigação começou com indícios de contratos direcionados para favorecer obras em áreas de milícia:

— A velocidade de empenho e liquidação também foi um dos fatores que chamou atenção do contrato. Ele foi praticamente pago antes do término. Com aditivo e reajuste chegou a R$ 17 milhões para uma única empresa de calçamento. Através de levantamentos, até em redes sociais e fotografias de local, a gente verificava que os locais não recebiam aquela obra apesar de ter sido paga.

O vereador Jeferson Ramos (MDB) faria a intermediação entre o núcleo político e empresarial da organização criminosa.

—- Tem esse braço administrativo dentro da prefeitura, que dá execução ao contrato. Tem o apoio político dessa organização criminosa, secretários, vereadores e chefes de empresa de desenvolvimento. E o braço de força, que são pessoas que dão apoio ao braço político nessas regiões dominadas por milícias. Eles garantem o livre acesso em troca desses contratos — explica o delegado.

A empresa FABMIX tem mais de R$ 70 milhões em contratos com o município, a maioria com indício de falta de transparência.

— De antemão, nosso levantamento viu que R$ 63 milhões desses R$ 70 milhões não estão devidamente publicados. Já é uma falha que pode ser apontada, mas não necessariamente há irregularidade no contrato, mas na transparência — afirma o delegado.

 

Declaração

Em nota, a Câmara Municipal afirma que “não foi intimada ou recebeu informações sobre o objeto das acusações” para as buscas nas dependências do gabinete do vereador Jeferson Ramos.

Já a Prefeitura de Nova Iguaçu, em nota, afirmou que coloca à disposição dos investigadores todas as informações e arquivos que forem necessários pra realizar um trabalho profundo e transparente. “A Prefeitura ainda não tomou conhecimento das acusações, mas repudia qualquer prática fora da lei e da boa governança.”

 

 

 

Fontes: Jornal Extra e Band News FM Rio