Fadinha do skate, Rayssa Leal, fala sobre a vida após a medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Rayssa Leal chegou a Tóquio como uma promessa do skate. Poucos dias depois, deixou a capital japonesa como medalhista olímpica de prata – a mais jovem da história do Brasil – e um dos nomes mais comentados do esporte nacional no momento. Junto ao sucesso nas pistas veio o estouro nas redes sociais. Com seu sorriso fácil e suas dancinhas mesmo na hora de decidir um lugar no pódio, a carismática Fadinha saltou de 800 mil para quase 7 milhões de seguidores no Instagram e de menos de 100 mil para quase 4 milhões no TikTok.

Aos 13 anos, Rayssa, que no fim de semana passado venceu a etapa de Salt Lake City da Liga Mundial, se orgulha de inspirar meninas a começarem no skate, revela que tem mudado o horário dos treinos em sua cidade, Imperatriz, no interior do Maranhão, para fugir um pouco do assédio e já planeja se mudar para a Califórnia, paraíso do esporte, depois de terminar os estudos.

Sua redação de férias na volta às aulas deve ter sido bem interessante. Consegue resumir e avaliar o que aconteceu e vem acontecendo na sua vida nas últimas semanas?

Minha vida mudou por completo. Foi super “daora” na Vila Olímpica, conheci atletas que eu sonhava conhecer, do Brasil e de outros países. Saber que trouxe uma medalha para o Brasil, uma das atletas mais jovens a medalhar. Foi demais. O skate é uma família, e deu para ver isso na Olimpíada, como se vê em todos os campeonatos. Tirei de lição que quanto mais você se divertir, melhor, mais você vai ser feliz. Quero me divertir bastante e continuar assim.

A repercussão de uma medalha olímpica foi acima do que você esperava? O quanto aquele pódio abriu portas para você?

Eu não pensei que seria tão grande a repercussão. Tanto da medalha, quanto da dancinha (que Rayssa fez na pista e viralizou nas redes). Quando fui para a Olimpíada, meu sonho era chegar a um milhão de seguidores em alguma rede social. Quando entrei na pista para fazer o primeiro treino eu estava quase batendo um milhão; quando saí já tinha passado de um milhão. Quando passei pela semifinal, tinha 3,5 milhões. Eu não sabia desse número. Quando me falaram, eu fiquei “Que! Como assim!?”. Foi muito rápido. E quando cheguei ao Brasil fui muito bem recebida, foi muito especial.

E agora já são quase 7 milhões. Como é lidar com essa explosão nas redes sociais? Você passa muito tempo on-line?

É? (pega o celular para conferir). Verdade! Não tinha visto ainda. É difícil. Você quer se manter atualizado de tudo, fico entrando para ver o número de seguidores. Tem o TikTok também, que uso mais, o WhatsApp… Tadinhas de algumas pessoas, eu não consigo responder todo mundo. Nem sei o que fazer mais. Mas tento me policiar. uso bastante, mas tem a hora de treinar, de estudar.

Você inclusive usou suas redes para pedir que não houvesse aglomeração em Imperatriz, por causa da Covid, na sua volta ao Brasil.

Isso é o mais importante, usar nossos seguidores para falar coisas boas, como isso de não aglomerar. Mesmo assim teve muita gente, fiquei assustada. Brasileiro é teimoso! Mesmo que a gente fale, eles vão querer ir.

Mudou muito a sua rotina em Imperatriz?

Está difícil. Eu treinava quando saía da escola, agora já não consigo mais naquele horário, tem muita gente, pessoal saindo do trabalho que acaba parando para acompanhar. Agora estou indo um pouco depois.

A sua medalha causou um boom na procura por escolinhas de skate, especialmente entre meninas. Como você observa isso?

Quando eu comecei a andar de skate, muita gente da minha família, com exceção dos meus pais, não gostava. Falavam que era coisa para menino, coisa de gente ruim, diziam que eu tinha que estudar. Eu me dediquei muito no estudo e também no skate e tive apoio dos meus pais. Depois da Olimpíada, mudou tudo. Recebo muitas mensagens de meninas nas redes sociais falando que se antes não podiam andar, agora podem, os pais deixam, incentivam, compraram skates. Fico muito feliz de ajudar nisso, de inspirar outras meninas. Não só eu, claro, mas nomes como a Letícia (Bufoni), Karen (Jonz), Pâmela (Rosa).

Em meio a tantos compromissos, viagens, competições, tem sobrado tempo para os estudos?

Sempre levo os materiais nas viagens, estou sempre correndo atrás. Agora já vai começar o período de provas, vou fazer algumas on-line aqui em São Paulo.

Quais seus próximos planos dentro do skate?

Em Salt Lake City eu fiz minha segunda manobra em um corrimão de rua. Em Imperatriz não tem corrimão. Andei num em São Paulo e agora outro em Salt Lake. Quero ir para Los Angeles para começar minha vídeoparte (um vídeo com manobras de skate em um filme). Eu queria lançar no dia do meu aniversário (4 de janeiro), mas acho que vai demorar mais um pouquinho…

A Califórnia é considerada um dos melhores lugares do mundo para o skate. Pensa em se mudar para lá?

A cena é muito boa em Los Angeles, mas quero terminar meus estudos em Imperatriz. Ficar com minha família e terminar na escola que sempre acreditou nos meus sonhos.

 

 

Crédito: Jornal O Globo

Rayssa Leal conquistou prata no skate street em Tóquio 2020

A maranhense Rayssa Leal, a Fadinha, de 13 anos, conquistou a prata na madrugada desta segunda-feira (26) no skate street na Olimpíada de Tóquio (Japão), se tornando a medalhista mais jovem do país na história da participação brasileira nos Jogos. Natural de Imperatriz (MA), a atleta marcou 14,64 na somatória, e só foi superada pela dona da casa Nishiya Momiji (15.26), também de 13 anos. Outra japonesa, Funa Nakayama, de 16 anos, levou o bronze (14.49). As disputas ocorreram no Parque e Esportes Urbano de Ariake.

adinha encantou nas manobras e na descontração: sorridente ele chegou a dançar algumas vezes, sem se deixar abater pela pressão da decisão por medalha. Estratégia que lhe garantiu a prata, a segunda do Brasil no skate street – no sábado (25) Kelvin Hofler conquistou a primeira.

“ Eu estou muito feliz, esse dia vai ser marcado na história. Eu tento ao máximo me divertir porque eu tenho certeza de se divertindo as coisas fluem, deixa acontecer naturalmente, se divertindo”, disse a skatista ao site do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Sensação nos Jogos de Tóquio, Fadinha chegou nos últimos dias a mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais. Agora medalhista olímpica, ela acredita que poderá influenciar mais meninas a praticarem a modalidade.

“Saber que muitas meninas já me mandaram mensagem no Instagram falando que começaram a andar de skate ou os pais deixaram andar de skate por causa de um vídeo meu, eu fico muito feliz porque foi a mesma coisa comigo. Minha história e a história de muitas outras skatistas que quebraram todo esse preconceito, toda essa barreira de que o skate era só para menino, para homem, e saber que estou aqui e posso segurar uma medalha olímpica, é muito importante para mim”, concluiu.

Ficaram pelo caminho

Outras duas brasileiras competiram na primeira fase, mas não se classificaram entre as oitos primeiras colocadas que avançaram à final. Pâmela Rosa, líder do ranking mundial no street, foi a primeira brasileira a se apresentar, na terceira bateria. A atleta ficou em décimo lugar, com total de 10.06 pontos. Momentos depois da disputa, Pâmela postou em rede social uma foto do tornozelo esquerdo, muito inchado e com hematomas. A atleta explicou que sofreu uma lesão na reta final da preparação e agradeceu o apoio da torcida brasileira.

Já a experiente Letícia Bufoni, número 4 do ranking, se apresentou com Rayssa Leal na quarta e última bateria, mas também não conseguiu nota suficiente para ir à final: totalizou 10.91 pontos, ficando em nono lugar.

 

Fonte: Agência Brasil