Prefeitura do Rio determina destruição de pedágio da Linha Amarela

O presidente da Lamsa, concessionária que administra a Linha Amarela, Eduardo Dantas, disse que a cobrança da tarifa de pedágio pode voltar a ser feita somente daqui a um mês, por causa dos danos provocados pela ação da Prefeitura do Rio na noite de domingo. As cabines foram destruídas, assim como as câmeras instaladas para monitorar o movimento de veículos. Dantas disse que ainda é muito cedo para avaliar o prejuízo. Ele garantiu que os serviços da concessionária — como mecânico, reboque, assistência médica e a manutenção da via — foram restabelecidos às 5h30 desta segunda-feira, quando a Lamsa conseguiu uma liminar da Justiça suspendendo a intervenção da prefeitura.

— Ainda vamos avaliar o impacto dos danos. E isso vai levar algum tempo. Vamos fazer toda a recuperação possível. Obviamente que o dano, o valor financeiro impactado, nós vamos cobrar do poder concedente, da prefeitura. Ainda é muito preliminar afirmar quando o serviço (de cobrança de pedágio) será restabelecido. Vamos fazer uma avaliação detalhada, mas acredito que essa situação vai durar um pouco mais de um mês — disse Dantas.

Por causa da intervenção municipal e dos danos causados aos equipamentos, a pista reversível que costuma ser aberta em direção ao Centro, durante a parte da manhã, não foi delimitada nesta segunda. O trânsito no pedágio está sendo feito em quatro pistas abertas em ambos os sentidos.

Técnicos da concessionária fazem avaliações nas cabines destruídas pela ação da prefeitura. O objetivo é calcular o valor dos danos e saber se algum equipamento escapou da depredação oficial. Eles estão usando celulares para tirar fotos de todos os equipamentos. A concessionária está fazendo um alerta em seus painéis eletrônicos sobre a situação na praça do pedágio. “Atenção: cabines destruídas. Para sua segurança, reduza a velocidade”, diz o aviso.

Mesmo assim, a velocidade dos veículos que cruzam o pedágio é elevada. A Lamsa faz um apelo para que os motoristas diminuam e cruzem a praça devagar. Vários motoristas passam pela praça do pedágio ovacionando o prefeito Marcelo Crivella.

— Não sou a favor do quebra-quebra que aconteceu. Mas sou a favor do fim da taxa do pedágio de R$ 7,50, na ida e na volta. Você vai daqui para Niterói e paga R$ 4,30 na Ponte Rio-Niterói. Só na ida. E é uma rodovia intermunicipal. E dentro da nossa cidade temos que pagar R$ 7,50. Isso é um absurdo! — disse o motorista de aplicativo Carlos Cleber da Silva Barroso, de 35 anos.

Ele contou que passa pela Linha Amarela diariamente, às vezes mais de dez vezes, para levar passageiros ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, que fica na Ilha do Governador, na Zona Norte:

— Por que eles não reduzem o preço? Poderiam cobrar só a ida e não cobrar a volta. Seria uma forma de resolver.

Carlos, porém, disse achar que a prefeitura não conseguirá fazer a manutenção da Linha Amarela.

— Não sei se a prefeitura vai dar conta de manter a via. Porque as ruas da cidade, por exemplo, estão todas destruídas. Será que a prefeitura vai conseguir manter? Essa é uma dúvida também — pontuou.

Lamsa: ‘Crivella rompeu todos os limites do bom senso e da legalidade’

Em nota, a Lamsa repudiou “veementemente a decisão ilegal e abusiva do poder municipal, que só causa transtornos à sociedade carioca. Os danos causados à Lamsa ainda serão avaliados pela equipe da concessionária. A cobrança do pedágio permanecerá suspensa até o restabelecimento das condições mínimas de operação e de segurança da concessionária”.

Para a concessionária, “Crivella rompeu todos os limites do bom senso e da legalidade. O prefeito não pode cancelar um contrato de concessão unilateralmente dessa forma. A Lamsa lamenta os atos de vandalismo físico, jurídico e administrativo praticados pelo prefeito, e confia na Justiça para o restabelecimento definitivo do respeito ao cumprimento dos contratos, à ordem e ao Estado de Direito para que possa continuar oferecendo serviços de qualidade à sociedade carioca”.

Fonte: Jornal Extra