Profissionais do SAMU de Rio Bonito contam suas lutas pessoais para proteger a família em época de pandemia

Em todo mundo os profissionais de saúde que estão à frente no combate ao novo coronavírus vem passando por momentos difíceis. Solidão, medo e tristeza são apenas alguns dos sentimentos possíveis de serem exprimidos pelas pessoas. Muitos estão isolados da família e dos filhos, mas todos estão imbuídos no mesmo propósito, ajudar a salvar vidas. Em Rio Bonito não está sendo diferente, técnicos, enfermeiros, e médicos estão abdicando de momentos pessoais para proteger quem eles amam.

O enfermeiro responsável pelo SAMU, Manuel dos Santos, foi diagnosticado com pneumonia e por lidar com pacientes com suspeita de coronavírus, decidiu separar itens de uso pessoal e não ter contato físico com as filhas. “Estou isolado em casa, em quarto e banheiro separado, mas ao mesmo tempo longe das minhas filhas e da minha esposa, que tem me ajudado bastante. Elas (filhas) querem pular em cima de mim, mas não posso deixar, isso como pai, machuca, mas tenho que me manter firme por causa delas”.

Para o médico responsável pelo SAMU, Frederico Vidal, o que está acontecendo é assustador. Ele conta que fica chateado quando percebe que algumas pessoas não entendem o que está acontecendo e desobedecem o distanciamento social. O médico tem uma filha de 14 anos e só a vê através de vídeo chamada. “Eu moro em Niterói, mas estou morando em Friburgo por medida de segurança, emocionalmente isso é muito ruim”, lamentou.

Assim como o médico, a enfermeira da unidade, Gisela Moraes, também se isolou da família por segurança. Desde o dia 31 de março ela está morando em um cômodo independente na casa do pai, pois mora com o filho de 4 anos, a mãe e a avó, ambas idosas. “Depois que peguei um plantão com um caso de coronavírus, tive medo e por segurança achei melhor não voltar para casa. Mesmo estando na casa dele, é solitário, pois não posso estar com meu filho”, contou Gisela.

Também abalado com o estresse que o dia a dia da função, o instrutor do SAMU, Fábio Sá, contou que também está separando itens pessoais em casa desde que os casos de coronavírus começaram a surgir na cidade. Ele conta ainda que para não expor a esposa ao risco de ter contato com as roupas que usa, está lavando suas próprias peças. Ele faz uma avaliação sobre como as pessoas estão vendo o que o mundo está passando. “A pessoa até sabe da realidade, mas não entende, ela acha que é blindada mas esquece que tem gente em volta dela. Deve ser triste ver o filho morrendo e saber que foi você que passou para ele. Muitos só estão entendendo dessa forma, infelizmente”, analisou.