Comércio de Maricá reabre seguindo as normas estabelecidas em decreto

De acordo com o último decreto do município, a abertura gradual do comércio (não enquadrado como atividade essencial) em Maricá passou a ser autorizada a partir das 14h desta quinta-feira (04/06).  O decreto traz exigências como o uso obrigatório da máscara por clientes e funcionários, a oferta de álcool gel, um quantitativo de funcionários de uma pessoa a cada 4 metros quadrados e a distância de um metro e meio entre as pessoas. O fechamento ocorreu às 18h.

“Estamos limitando a quantidade de pessoas no interior da loja. Só entram 10 clientes por vez, todos de máscara e após colocar álcool gel nas mãos. Além disso, colocamos tapete com cloro na porta e protetor na área do caixa. Também fazemos a higienização constante dos corrimões de escadas fixas e rolantes”, contou Fernando Moreira, gerente da loja de departamentos Leader. Todas as medidas estão previstas no decreto.

Na loja de roupas Objetiva, a gerente Romina Rafanele informava os clientes sobre as novas regras adotadas neste período. “Os provadores não podem ser utilizados, nem os calçados experimentados. Colocamos essa marcação de distanciamento para que todos possam usufruir disso, já que a doença está sob controle e existe a possibilidade do comércio voltar a operar”, avisava.  Para ela, o que chamava a atenção, era a compreensão e obediência de todos. “Até o momento as pessoas estão compreendendo a situação. Acho que o esclarecimento facilita tudo”, frisou.

O secretário de Ordem Pública e Gestão de Gabinete Institucional, Júlio Veras se disse satisfeito com a realidade desse primeiro dia. “Vemos que as lojas estão respeitando o decreto, mas as fiscalizações, rondas e ações preventivas continuarão a ser feitas pelas equipes da força tarefa em todos os distritos. O comerciante que não respeitar tudo que foi determinado pode sofrer multas e as sanções referentes a Postura, Procon e Vigilância. Ele pode inclusive ter o seu alvará cassado e a gente não quer que isso aconteça. Então, contamos com o bom senso de todos”, explicou.

Segundo ele, o telefone 96809-1516 (Disque Aglomeração) também passará a receber denúncias referentes ao desrespeito do comércio ao decreto. “Nós temos 1402 denúncias computadas até a manhã de hoje e 100% delas são verificadas por nossas equipes. Então, eu peço ao cidadão de Maricá que denuncie, caso haja qualquer irregularidade”, pediu Veras.

Moradora de São José do Imbassaí, Lucimar Santino de 49 anos aprovou a iniciativa. “Minha neta está precisando de umas roupinhas de frio, aí eu vim comprar. A gente não pode experimentar, mas tem um prazo de 12 dias para a troca. Na loja que eu fui, todas as pessoas estavam com máscara e usando álcool gel”, contou.

Ana Castro de 55 anos também carregava sua sacola de roupas. “Eu vim porque preciso de algumas coisas para uma criança que esta internada. Ele tomou corticoide, inchou e está irritado dizendo que as roupas estão apertando ele, então tive que vir comprar roupas maiores. Se não fosse de muita necessidade, eu continuaria não saindo. Não dá para ficar passeando nem trazendo criança não, tem que ficar em casa”, ressaltou a moradora do Flamengo.

“Nós precisamos sobreviver. Não é só mercado e farmácia não, a roupa também é um serviço essencial. O coronavírus é desconhecido ainda, mas eu acredito que da maneira como está sendo feita aqui, com álcool gel e máscara vai dar certo. E eu acho muito correto não poder experimentar roupa. Leva para casa, experimenta, se não deu, traz a nota, entra na fila e troca”, disse Carmen Torres de 56 anos que mora em Itaipuaçu.

Moradora do Boqueirão, Ava Valverde de 53 anos, saía sorridente da loja Sá Rego, especializada em material de construção. “Eu estou fazendo obra e tive que vir porque minha casa está toda gotejando. Não tinha jeito. Comprei telha, cimento. A única que entrou na loja fui eu mesmo, porque eles estão atendendo na porta. Mas eu queria muita coisa aí me deram autorização para entrar. Lá dentro estava vazio”, comemorou.

Na loja Raquel Calçados, a entrada estava limitada a cinco clientes por vez. “Eu tenho quase 20 vendedores, mas só cinco estão atendendo. Cada vendedor atende um cliente por vez. Só depois que ele escolhe, paga e sai que outro cliente entra. Trocas a gente não está fazendo por enquanto, porque demora, para evitar aglomeração. A não ser que seja por numeração. Como nós ficamos quase três meses fechados e muita gente está precisando de calçado, todas as pessoas que entram hoje na loja são para comprar, então eu acredito que esse mês vai ser de 70 a 80% do nosso normal”, garantiu o gerente Rodrigo Pimenta.

Coordenadora do Procon Maricá, Ariana Siqueira disse que uma campanha educativa teve início nesta quinta, como parte da Força Tarefa, buscando orientar os comerciantes sobre a troca de produtos. “Essa é uma prática comum, mas nem todo tipo de troca é um direito assegurado por lei. Em alguns casos, a substituição é uma cortesia da loja. Mas, tendo em vista que estamos enfrentando um momento atípico e as autoridades locais decretaram a inviabilidade de experimento de roupas e calçados por precaução sanitária, nossa orientação é que os comerciantes adotem um prazo para que o consumidor possa realizar a troca do produto, como já é costumeiro em alguns estabelecimentos”, enfatizou.