O Brasil realizou nesta terça-feira (15) o lançamento de um foguete de sondagem no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), localizado em Parnamirim, no Rio Grande do Norte. A missão, batizada de Operação Potiguar 2, transporta a Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R), um laboratório espacial desenvolvido para realizar experimentos científicos e tecnológicos em ambiente de microgravidade e retornar à Terra para análise dos materiais.
Coordenada pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o foguete foi projetado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) para atingir altitudes superiores a 100 quilômetros, limite que marca a fronteira com o espaço.
O principal objetivo da missão é testar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da plataforma. Após atingir a altitude planejada e proporcionar alguns minutos de microgravidade para a realização dos experimentos, a estrutura retorna de paraquedas sobre o Oceano Atlântico. A operação de resgate da carga útil envolve militares do Esquadrão Falcão e do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-SAR), a bordo do helicóptero H-36 Caracal, que localizam e recolhem o equipamento no mar.
O sucesso da missão representa um marco estratégico para a ciência brasileira, pois permite que pesquisadores recuperem amostras físicas de experimentos nas áreas de biologia, materiais, fluidos e combustão, em vez de depender apenas de dados transmitidos à distância por telemetria.
Segundo o presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, a consolidação da tecnologia garante maior independência ao programa espacial do país, permitindo a produção própria da plataforma e avançando diretamente rumo à autonomia nacional em lançamentos suborbitais.
“Seremos capazes de produzir nossa própria plataforma. É um avanço na direção de nossa autonomia em voos suborbitais”, destacou Chamon.
O diretor-geral do DCTA, tenente-brigadeiro Mauro Bellintani, destacou a importância da ação para o programa espacial brasileiro. “A Operação Potiguar 2 representa uma etapa decisiva para a qualificação da Plataforma Suborbital de Microgravidade. A operação se insere no contexto de retomada dos lançamentos de veículos de sondagem e avança para a qualificação em voo do sistema de recuperação da PSM, submetendo-o às condições reais de operação”, afirmou.
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