O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Bernardo Leal, retornou às suas atividades na última quarta-feira (28), na Cidade da Polícia, após quase três meses de afastamento motivados pelos ferimentos graves que sofreu durante a megaoperação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha.
Ele passou por nove cirurgias, ficou cerca de 47 dias internado, incluindo um período em coma, e chegou a ter apenas 3% de chance de sobreviver, segundo relatos médicos.
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Recebido ao som de aplausos por dezenas de colegas, Leal entrou na sede da Polícia Civil apoiado em muletas e fez sinal de agradecimento à plateia de agentes que o aguardava no corredor. A operação, que mobilizou mais de 2,5 mil policiais com o objetivo de combater o avanço territorial da facção Comando Vermelho, terminou com mais de 120 mortos e teve confrontos intensos entre forças de segurança e criminosos.
Durante o cerco policial às comunidades da Penha e do Alemão, o delegado — então assistente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) — foi atingido por um tiro de fuzil na coxa direita, que provocou o rompimento de veias e artérias e resultou em hemorragia grave. Após intensa batalha médica, os profissionais foram forçados a realizar a amputação da perna direita para salvar sua vida.
Retorno
Ao reassumir suas funções, o delegado fez um breve pronunciamento aos colegas e jornalistas presentes:
“Estou muito grato por voltar a trabalhar. A recuperação tem sido um desafio diário, mas o apoio da corporação e da sociedade fez toda a diferença. Ainda tenho um longo caminho pela frente, incluindo a adaptação à prótese, mas estou pronto para seguir contribuindo com a Polícia Civil e com a sociedade fluminense.”
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, foi um dos primeiros a cumprimentar o delegado na chegada e destacou o exemplo de Leal:
“O delegado Bernardo é um verdadeiro herói das polícias, um herói do Rio e um exemplo de ser humano para todos nós. Sua trajetória de superação inspira toda a corporação e a população.”
Em nota, a Polícia Civil e o Governo do Estado do Rio também informaram que irão custear integralmente a prótese e o tratamento continuado para o delegado, reafirmando o compromisso com a reabilitação de profissionais feridos em serviço.

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