Vidas sagradas e…ameaçadas!
O mês de março possui várias características, fatos importantes e significado. Dentre eles, celebramos o dia internacional das mulheres, que de fato, foi e continua sendo um marco na história da sociedade pós-moderna.
No Brasil, infelizmente, temos uma epidemia no que tange as nossas mulheres: O bárbaro crime do feminicídio! No ano passado, 1568 mulheres foram assassinadas de forma prematura e violenta!
Atentos! A dura e cruel realidade do feminicídio não tem poupado classe social, escolaridade, religião. Infelizmente, basta ser mulher. Daqui surge o que conhecemos hoje por ‘misoginia’, ou seja, o ódio declarado à pessoa da mulher. Ser mulher no Brasil virou um risco…
Atentas! Há sinais ainda mais questionadores neste ‘mapa do feminicídio’. Cito apenas dois: Quase 70% das mortes aconteceram na própria casa e pelos próprios parceiros ou ex parceiros, e grande parte destas mulheres eram cristãs.
Leitoras e leitores, irmãos e irmãs, esses indicadores não podem ser minimizados! Silêncio de quem presencia, de quem percebe, de quem não se envolve, e não quebra o ciclo desta ‘cultura de morte’ também colabora direta ou indiretamente com o feminicídio.
Atentos estejamos também para o que eu chamo de ‘cultura do silêncio’ nas famílias e nas igrejas…Não é e nunca será o caminho!
Uma situação que geralmente é transcurada é a questão das crianças órfãos oriundas deste crime nefasto. Imaginemos a dor, as marcas, o trauma e a ferida de uma criança e adolescente que precisará crescer sem o aparato materno.
Desde de 2015, ano em que a lei do feminicídio foi promulgada no Brasil, QUATRO MULHERES SÃO MORTAS POR DIA NO BRASIL!
A filósofa Hannah Arendt tem um pensamento que nos faz refletir, ao dizer que “Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo, e as melhores perderam a esperança”.
Nós, não podemos perde-la. Faz parte da nossa missão e prevenção colocar-se diante dessa nova pandemia brasileira. Não deveríamos mais permitir que a morte das mulheres continue sendo banalizada, naturalizada e pior ainda, contabilizada.
Antes de cada feminicídio vir à luz existiu um homem que nutriu (talvez ainda menino) desrespeito, desprezo e ódio por uma mulher. A maneira de ver-se homem é fundamental neste processo. A educação dos meninos em relação ao trato para com o feminino é urgente em casa, nas escolas e também nas igrejas! Onde este diálogo não estiver presente faltará humanidade e espiritualidade genuínas!
Poderíamos ensinar nossos filhos a nunca agredir uma mulher, e as nossas filhas a jamais tolerar uma agressão de um homem?
Aos homens que ainda creem, deixo um recado de Paulo: “Os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo” (Efésios 5:28) e ainda: “Vós, maridos, amai as vossas mulheres, e não sejais grosseiros com elas” (Colossenses 3:19).
Recordemos que todos temos uma dívida impagável para com todas as mulheres. Elas são nosso início, a alma do mundo e a maior benção da sociedade humana!
Padre Eduardo Braga
Patriarcado Eslavo das Américas (AWP/AOCC)