Caixa Econômica afasta funcionário envolvido em caso de cliente agredido

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O funcionário da Caixa Econômica Federal envolvido na situação que culminou na agressão sofrida pelo empresário Crispim Terral, de 34 anos, numa unidade da agência bancária, em Salvador, no último dia 19, foi afastado, anunciou o banco nesta quarta-feira.

Em nota, a empresa disse que “repudia práticas e atitudes de discriminação cometidas contra qualquer pessoa”, mudando o tom com relação ao comunicado divulgado nesta terça-feira, afirmando que “até o momento não foi identificada, por parte de nenhum dos seus empregados ou colaboradores, qualquer atitude de cunho discriminatório”.

O caso em que o cliente leva uma “gravata” de um policial militar dentro da agência Relógio de São Pedro repercutiu nas redes sociais, gerando revolta entre internautas. Crispim frisou ter sido vítima de preconceito racial.

A Caixa informou que abriu uma apuração pela Corregedoria a respeito do ocorrido e que realizará, nesta quinta-feira, um “treinamento específico com toda sua rede de atendimento para reforçar sua Política de Relacionamento com Clientes”.

“Ressaltamos que as relações da CAIXA com seus clientes e usuários são orientadas pela ética, com respeito aos direitos humanos universais. A CAIXA prima pelo respeito à diversidade de raça, origem, etnia, gênero, cor, idade, classe social ou qualquer tipo de diferença entre as pessoas. Outra diretriz da Política é o atendimento com zelo, presteza e prontidão aos clientes e usuários, de forma justa e equitativa”, disse o banco.

“Isso não pode passar impune”

Após tentar resolver um problema burocrático, Crispim levou uma “gravata” de um policial militar. Este momento foi filmado pela filha dele, de 15 anos, sendo possível ouvir seu choro diante da cena. O cliente publicou as imagens em seu perfil do Facebook, dizendo ter se sentido indignado com a situação.

“Vou buscar meus direitos sim. Fui no hospital porque passei mal após a agressão, fui na corregedoria da polícia militar prestar queixa, está tudo registrado”, ressaltou. “Isso não pode passar impune”.

Crispim relatou ter sido tratado de forma “indiferente” por um gerente, que o teria deixado esperando por “quatro horas e quarenta e sete minutos”, enquanto atendia outras pessoas. Ele teria então buscado outro profissional, que também teria sido ríspido.

“Quando pensei que não poderia piorar, fui surpreendido pelo senhor João Paulo com a seguinte fala: ‘Se o senhor não se retirar da minha mesa, vou chamar uma guarnição’. E assim o fez. Chamou a guarnição, dois policiais me pediram, no primeiro momento, de forma educada, para que pudéssemos nos dirigir juntamente com gerente até a delegacia para prestar esclarecimentos. Até aí tudo bem”, contou o empresário.

“Em pleno século 21”

No entanto, o gerente identificado como João Paulo afirmou, conforme o vídeo mostra, que “não faz acordos com esse tipo de gente”. Em outro momento, diz que só iria acompanhá-los à delegacia se o cliente saísse do banco algemado.

“Em pleno século 21, fui tratado de forma ríspida e claramente fui vítima de preconceito racial”, frisou Crispim.

A Polícia Militar da Bahia informou que uma guarnição do 18º Batalhão foi solicitada por funcionários da Caixa Econômica no Relógio de São Pedro, “em razão de um dos clientes se recusar a deixar a agência mesmo após o término do expediente”.

“No local, os policiais militares conversaram com o gerente da agência e ele relatou que o homem estava solicitando um comprovante de transação, que não poderia ser fornecido naquele momento, e solicitou a remoção do cidadão do interior do estabelecimento em razão do encerramento do expediente bancário”, disse a corporação.

“Necessidade de empregar a força proporcional”

De acordo com os policiais militares presentes no momento do tumulto, o cliente se exaltou e disse que não sairia da agência sem ter a sua demanda atendida.

“Houve a necessidade de empregar a força proporcional para fazer cumprir a ordem legal exarada, mesmo após diversas tentativas de conduzi-lo sem o emprego da força. Ele não foi algemado. O vídeo divulgado mostra uma condução técnica dos policiais militares na ação e também observa-se uma edição suprimindo parte do ocorrido”, afirmou a corporação.

Crispim foi conduzido à Central de Flagrantes, onde foi autuado por desobediência e resistência. Uma sindicância será instaurada pelo 18º BPM para apurar todas as circunstâncias da intervenção policial.

O empresário ressaltou que não agiu de forma grosseira ou deselegante e foi tratado “como bandido”.

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