Projeto em parceria com a Águas do Rio alcança marca de 20 mil mudas plantadas às margens da Baía de Guanabara 

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Foto: Divulgação/ Águas do Rio

O projeto Mangue Alegria, realizado em parceria com a concessionária Águas do Rio, atingiu a marca de 20 mil mudas nativas plantadas em um hectare recuperado, área equivalente a 10 mil metros quadrados, às margens da Baía de Guanabara, no Caju, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. O número foi revelado no Dia Mundial de Proteção aos Manguezais, celebrado no último domingo (26). Para celebrar o resultado e fortalecer a cultura de preservação, foi promovido, ao longo desta semana, um mutirão de limpeza e plantio no entorno da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria.

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O mangue funciona como um eficiente sequestrador de carbono, sendo uma ferramenta vital contra o aquecimento global. Ele também atua diretamente na limpeza da água, na medida em que absorve nitrogênio e fósforo. Além disso, a floresta serve de berçário, incrementando a biodiversidade e garantindo a reprodução de peixes e crustáceos comercialmente importantes para o ser humano“, explicou o biólogo, Mário Moscatelli, que lidera o projeto.

Para Caroline Lopes, gerente de Meio Ambiente da Águas do Rio, a recuperação do manguezal complementa os avanços promovidos pela empresa em infraestrutura desde novembro de 2021.

Nossas ações de saneamento tanto na Zona Sul quanto na Zona Norte do Rio, e da Baixada a São Gonçalo, já evitam que 134 milhões de litros de esgoto in natura sejam lançados diariamente na Baía de Guanabara“, afirmou Caroline. Segundo ela, o mangue também contribui para reduzir a proliferação de vetores de doenças. “Sua característica natural faz dele uma barreira física, minimizando enchentes e protegendo as comunidades litorâneas.  A participação dos agentes de saúde reforça que proteger o manguezal é, na prática, proteger também a saúde da população.”

Com a meta de recuperar 3,6 hectares e ampliar a vegetação em outros 4,6 hectares, Moscatelli chama atenção para o contraste observado na região: 450 toneladas de resíduos sólidos já foram retiradas de um trecho de floresta no Caju. Apesar dos resultados animadores, o biólogo faz um alerta sobre o papel da sociedade na continuidade desse processo.

É certo que essa é a estratégia correta para enfrentarmos o novo cenário climático, estamos vendo os resultados positivos a cada ano. No entanto, a quantidade de resíduos que continua sendo jogada nos rios e chega à baía ainda é grande. Precisamos, enquanto sociedade, parar de usar os rios como lixeira“, advertiu Moscatelli.

Recuperação na Lagoa Rodrigo de Freitas

O trabalho de recuperação dos manguezais também avança na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde uma parceria firmada em 2021 entre a Águas do Rio e Moscatelli já recuperou 7 mil metros quadrados do ecossistema. Historicamente marcado por episódios de à poluição, o cartão-postal vem apresentando sinais consistentes de melhora graças à combinação entre a preservação do mangue e uma transformação subterrânea: a modernização de 13 estações de bombeamento e o reforço do cinturão de proteção passaram a impedir o lançamento de 216 mil litros de esgoto por hora naquele espelho d’água.

Investimento em saneamento

As atividades desenvolvidas no Caju fazem parte de um conjunto mais amplo de ações voltadas à revitalização da Baía de Guanabara. O reflorestamento se soma aos investimentos em infraestrutura de saneamento realizados pela concessionária do grupo Aegea para reduzir o lançamento de esgoto sem tratamento no ecossistema.

Esse esforço de despoluição ganha ainda mais força com o investimento de R$ 2,7 bilhões em curso para a implantação de um cinturão de coletores de tempo seco no entorno da baía. Em dias sem chuva, essas estruturas interceptam o esgoto despejado irregularmente nas redes de drenagem e o direcionam para tratamento, evitando que chegue aos rios e, consequentemente, à Baía de Guanabara.

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