Fim da patente do Ozempic gera disputa política e deve baratear o remédio no Brasil

A patente do laboratório termina em março deste ano. Ao ser produzido por empresas brasileiras, preço do medicamento pode reduzir de 30% a 50% ou mais.
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Foto: Divulgação

A patente do Ozempic — remédio usado no tratamento do diabetes tipo 2, que ganhou popularidade também no controle de peso — está prestes a acabar no Brasil. A exclusividade da substância semaglutida, expira em março de 2026, abrindo espaço para que outros laboratórios produzam versões mais baratas. A notícia tem mobilizado políticos e as próprias empresas em Brasília para discutir as regras que vão vigorar após esse prazo.

Leia também: Lista de medicamentos que podem ser prescritos por enfermeiros é ampliada

O que significa o fim da patente

Atualmente, apenas a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk pode fabricar e vender o Ozempic no país. Com a perda da exclusividade em 2026, outras empresas poderão fabricar medicamentos similares ou genéricos à base de semaglutida, o que geralmente reduz o preço ao consumidor e amplia o acesso.

De acordo com análises do mercado, essa mudança pode reduzir o preço do medicamento em 30% a 50% ou mais — cenário que pode beneficiar pacientes que hoje não conseguem arcar com o custo das versões originais.

Tentativa de estender proteção e reação no Congresso

Antes da expiração da patente, a fabricante tentou convencer judicialmente o Brasil a estender o prazo de exclusividade, argumentando que atrasos na análise do pedido teriam encurtado o tempo de proteção. No entanto, a Justiça manteve a data de março de 2026 como limite para a patente, sem extensão.

Com isso, no Congresso Nacional surgiram intensas discussões políticas sobre como o setor farmacêutico será regulado após a quebra da exclusividade. Propostas de lei em debate discutem, por exemplo, critérios e prazos para aprovação dos novos medicamentos e regras para garantir segurança e eficácia — temas que estão sendo debatidos por deputados e senadores em Brasília.

Quem está se preparando para produzir versões mais baratas

Empresas brasileiras já anunciaram planos para lançar seus próprios medicamentos à base de semaglutida assim que a patente terminar. A farmacêutica Hypera, por exemplo, declarou que trabalha para ter seu produto pronto para o mercado a partir de 2026.

Outros laboratórios também firmaram parcerias e estão se preparando para registrar medicamentos concorrentes, o que deve aumentar a concorrência e, com isso, pressionar os preços para baixo.

Impacto no bolso do consumidor e no SUS

Hoje, canetas de Ozempic nas farmácias brasileiras podem custar de R$ 800 a mais de R$ 2.000 por mês, dependendo da dosagem e da região — valores que estão fora do alcance de muitos brasileiros e que não são cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a chegada de alternativas mais baratas, a expectativa de especialistas é que o tratamento fique mais acessível. Há também discussões de que isso poderia facilitar, no futuro, uma possível revisão sobre a inclusão de medicamentos à base de semaglutida no SUS, embora isso ainda dependa de avaliações técnicas e econômicas.

O que está em jogo agora em Brasília

A disputa política em torno das regras que vão vigorar após março de 2026 não é apenas uma questão técnica: ela pode mudar o preço e o acesso ao tratamento para milhões de pessoas no Brasil. Políticos de diferentes forças e representantes da indústria estão debatendo quais devem ser os critérios de aprovação e supervisão desses novos medicamentos, com impactos diretos no mercado e na saúde pública nos próximos anos.

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