Fim do último tratado nuclear entre EUA e Rússia preocupa líderes mundiais

Especialistas em segurança internacional alertam que, sem o New START, não há mais limites legais sobre armas nucleares.
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Foto: Ministério da Defesa da Rússia

O último acordo que limitava os arsenais nucleares de Estados Unidos e Rússia expirou na última quinta-feira (5), abrindo um período de incerteza e preocupação internacional sobre uma possível nova corrida armamentista. O tratado nuclear entrou em vigor em 2011. Em 2021 houve uma extensão por mais cinco anos, porém, não há cláusulas que permitam uma nova prorrogação sem um novo acordo. No momento, não existe uma proposta formal de um novo acordo.

O Tratado New START, em vigor desde 2011, estabelecia limites para o número de armas nucleares estratégicas que os dois países podem manter. Com o fim do acordo, não existe mais nenhum tratado ativo que controle diretamente os arsenais das duas maiores potências nucleares do planeta.

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Na prática, isso significa que EUA e Rússia agora estão livres para aumentar suas ogivas, mísseis e bombardeiros nucleares, sem inspeções internacionais obrigatórias.

O que era o New START

O New START limitava cada país a manter até 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 mísseis e bombardeiros prontos para uso, além de prever inspeções presenciais e troca regular de dados entre os dois lados, mecanismo que permitia verificar o cumprimento das regras.

O tratado era considerado a principal barreira contra uma nova corrida nuclear desde a Guerra Fria.

ONU: “momento grave para a paz”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o fim do tratado representa um “momento grave para a paz e a segurança internacionais”.

Segundo ele, a ausência de regras e inspeções aumenta o risco de erros de cálculo, desconfiança entre países e até conflitos provocados por acidentes ou falhas de comunicação.

Guterres pediu que Estados Unidos e Rússia retomem urgentemente as negociações para criar um novo acordo que volte a impor limites às armas nucleares.

Papa faz alerta contra nova corrida armamentista

O Papa Leão XIV também se manifestou, afirmando que o mundo corre o risco de reviver uma corrida armamentista nuclear.

Em discurso no Vaticano, ele pediu que os líderes globais “façam todo o possível para evitar uma escalada armada”, destacando que a humanidade já vive um cenário de conflitos e instabilidade.

Foto: White House Archived

Reação dos governos

A Rússia afirmou que lamenta o fim do tratado, mas declarou que continuará agindo como uma potência “responsável”.

Já os Estados Unidos disseram que defendem um novo acordo mais amplo, que inclua também outras potências nucleares, como a China — proposta que ainda não avançou.

Por que isso preocupa o mundo

Especialistas em segurança internacional alertam que, sem o New START, não há mais limites legais sobre armas nucleares, deixam de existir inspeções obrigatórias, aumenta o risco de uma nova corrida armamentista e cresce a possibilidade de uso acidental ou erro de interpretação.

Desde o fim da Guerra Fria, nunca houve um período sem qualquer tratado nuclear entre EUA e Rússia.

Agora, o mundo entra em uma fase em que as duas maiores potências atômicas podem se armar sem controle externo, o que reacende temores globais sobre estabilidade, diplomacia e sobrevivência.

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