Policiais acusados de extorquir integrantes do Comando Vermelho foram alvos de uma operação da Polícia Federal, na manhã desta terça-feira (10). Segundo a PF, entre os suspeitos estão um delegado e outros agentes civis, que foram presos. Os mandados de prisão preventiva e busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que visa restringir a letalidade policial em comunidades do Rio de Janeiro. No vídeo, divulgado pela PF, mostra uma apreensão de dinheiro em espécie na residência de um dos policiais civis, na praia da Barra da Tijuca/RJ.
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O grupo é investigado por utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do CV presentes no território fluminense, além de praticar corrupção e lavagem de capitais.
Além das prisões e buscas, a Suprema Corte deferiu a execução de medidas cautelares como o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos.
As apurações revelaram que o esquema era liderado por uma autoridade policial – titular de uma delegacia da capital – e por outro policial civil. De forma contínua, os servidores emitiam intimações com o propósito de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas significativas para omissão em atos de ofício.
A negociação ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para operacionalizar o recebimento das vantagens indevidas e manter um distanciamento físico das lideranças da facção criminosa, os policiais contavam com a atuação direta de dois intermediários.
A inteligência financeira da PF detectou que os policiais investigados apresentavam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus vencimentos lícitos. Para promover a ocultação e dissimulação do capital sujo, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares, agora alvos de suspensão judicial.
Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais.
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