A gravação do samba e ‘flashes’ da criação do ‘GRBC Filhos da Pauta’
A gravação do samba-enredo “Na Volta dos Onze Notáveis, Partiu Niterói” para o Carnaval/2026 do “Bloco Filhos da Pauta”, no último dia12/12, em homenagem a 11 jornalistas já falecidos, foi uma ótima oportunidade de lembrar de amigos de profissão e de histórias dos 40 anos de existência da agremiação. No “Pep Studio”, em Niterói, ela transcorreu num clima alegre com o intérprete Nêgo colocando a sua possante voz em cima do “coro” feito pelos compositores Serginho Soares e Edu Cigano (que também é intérprete oficial do bloco). O que aconteceu, ainda, depois de o cavaquinista Tico do Cavaco efetuar a base com o cavaquinho. E, diga-se de passagem, o resultado final ficou muito bonito.
E na citação dos nomes dos homenageados na letra do samba durante a gravação me vêm à lembrança antigas histórias protagonizadas por alguns deles. Os quais conheci e com os quais tive o prazer de conviver na época da criação do bloco a exemplo de Mário Dias, Paulo Freitas e Walmyr Peixoto. Assim como em anos depois: Devaldo Quintino, Ykenga, Múcio Bezerra, Fernando Paulino e Jourdan Amora. Não tive a oportunidade de trabalhar com os homenageados Ivan Costa, Elaine Rodrigues e Floriano Carvalho. Entre os vivos que ainda estão no bloco, o próprio Sérgio Soares e Renato Guima, remanescentes de O FLUMINENSE.
O ano era 1986, mais precisamente no dia 08 de fevereiro (data recuperada através da Inteligência Artificial do “Google” atual). O desfile foi no sábado de Carnaval, dia em que o jornal, para fazer a edição que circulava no domingo e na segunda-feira, só funcionava até às 15/16 horas. O chefe de reportagem era o também já falecido Maurício Hill, tendo como editor-geral o veterano Olegário Wangüestel Júnior. Na época o jornal contava, ainda, com os repórteres Pedro Paulo Santana, Gustavo Goulart, Alexandre Dayrrel Campos, Rafael Masgrau, Ricardo Zocatelli, Aissar Elias, Sérgio Torres, Otávio Guedes, Leila Pinagé, Wiliam Oliveira e Reinaldo Silva (falecido), entre outros.
Maurício e Olegário colaboraram liberando os repórteres para um revezamento a fim de que pudéssemos organizar o bloco para o desfile sem prejudicar o andamento do serviço. Assim, começamos a descer para o ponto de concentração no calçadão da Livraria Ideal ao lado da qual havia um bar que servia de ponto de “aquecimento” para os foliões. Eu e a secretária de redação por nome Aglaia, se não me falha a memória, fomos escolhidos como “tesoureiros” do grupo, encarregados de recolher e guardar as contribuições dos componentes que se candidataram a participar, para a compra e distribuição de cervejas.
Alguns organizadores se encarregaram de pegar emprestados de alguma agremiação uns instrumentos de percussão para que pudéssemos fazer a nossa evolução. Depois que todos cumpriram as suas respectivas pautas na redação, juntaram-se no calçadão para iniciar o “esquenta” e aguardar a hora prevista para a saída até o Centro da cidade.
Saímos do calçadão por volta das 19 horas cantando e batucando alguns sambas-enredos antigos de escolas de samba. O objetivo era chegar até a Avenida Amaral Peixoto, onde aconteceria a abertura oficial do Carnaval de Niterói naquele ano. Porém, no meio do caminho, depois de muita pancada mal dada no único bumbo por Paulo Freitas o couro furou. O que provocou o descontentamento de Walmir Peixoto e a frustração de todos. Iniciou-se uma pequena rusga entre Walmyr e Paulo, a qual foi prontamente apaziguada por Mário Dias. Mas a nossa “estreia” e “desfile” já ficariam seriamente comprometidos. Mesmo assim prosseguimos “capengando” até a Amaral Peixoto onde ainda conseguimos fazer uma rápida evolução e nos dispersarmos.
Vale registrar que, a partir do lançamento do bloco e da fixação do calçadão com o bar ao lado como ponto de encontro de nós, jornalistas de O FLUMINENSE, o proprietário Carlos Mônaco, que já era um entusiasta da Cultura e dos encontros dos jornalistas de O Fluminense no local para beber e comer principalmente aos sábados, passou a incentivar ainda mais as nossas reuniões ali. E periodicamente promovia encontros de escritores que eram sistematicamente cobertos por nossas equipes.
E, para finalizar a história da nossa primeira festa de Momo nos redimindo da frustração de termos chegado aos “trancos e barrancos” ao ponto final do desfile, fica aqui uma confissão inédita: eu e uma colega da administração do jornal, que não é o caso de citar o nome, já meio altos pelas muitas cervejas bebidas, terminamos a noite abraçados numa suíte do Hotel Praia Grande, na Rua Marechal Deodoro. Uma “folia” só. E vivas ao “Filhos da Pauta” nos seus 40 anos de existência e histórias, gente!
Por Evaldo Peclat Nascimento é Jornalista, Professor, Poeta e Conselheiro do Conselho Municipal de Cultura de Silva Jardim.